Guia Técnico: Como especificar ACM em conformidade com as Normas e Exigências de Obras de Grande Porte
- Johnny Vieira De Souza, arquiteto
- há 1 hora
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*Por Johnny Vieira de Souza – Consultor de ACM, responsável pelo departamento de projetos da Projeto Alumínio, diretor técnico da Móduly Solutions, arquiteto e professor universitário.
A especificação de painéis de alumínio composto (ACM) é um divisor de águas para construtoras e incorporadoras que utilizam o material em larga escala. Diante de uma vasta gama de tecnologias e configurações, a escolha deixa de ser apenas estética para se tornar uma decisão técnica estratégica, visto que as variações de custo e performance são drásticas. Neste artigo, detalho os critérios essenciais para garantir a conformidade técnica, a segurança contra incêndio e a durabilidade do revestimento.

1. O Padrão Normativo para Grandes Empreendimentos
Para revestimentos arquitetônicos externos, não há margem para improviso. A especificação deve seguir rigidamente a ABNT NBR 15446.
Espessura Total: Obrigatoriamente 4mm.
Lâminas de Alumínio: Cada lâmina deve possuir 0,50 mm de espessura para garantir a rigidez estrutural necessária contra cargas de vento e intempéries.
Segurança contra Incêndio: O núcleo deve ser do tipo FR-IIA ou no mínimo II-B, atendendo à Instrução Técnica nº 10 (IT 10) do Corpo de Bombeiros do Estado de São Paulo, garantindo características de retardância a chamas (leia mais aqui).
Tecnologia de Pintura (Fachadas): Para garantir a integridade da cor e resistência aos raios UV em áreas externas, a pintura deve ser obrigatoriamente PVDF 70% de marca consagrada como a Kynar500 ou FEVE (Fluoropolímero de Eter Vinílico). Estas tecnologias oferecem a maior longevidade disponível no mercado contra o desbotamento e calcinação (leia mais aqui).

1.1. Especificações para Áreas Internas
Para revestimentos internos, segundo a ABNT NBR 15446, as exigências técnicas podem ser adaptadas para otimizar o investimento:
Espessura das Lâminas: As lâminas de alumínio podem ter sua espessura reduzida para 0,30 mm, mantendo a estabilidade para aplicações sem carga de vento.
Tecnologia de Pintura: Como não há incidência direta de raios solares e intempéries agressivas, a tecnologia de pintura não deverá ser necessariamente PVDF ou FEVE. O cliente poderá optar por outras tecnologias (como Poliéster ou variantes), conforme a compatibilidade do local de instalação e o custo-benefício desejado, sem comprometer a estética do projeto.
2. Sistemas de Instalação e Vedação
A durabilidade do sistema depende diretamente de como o painel é fixado e vedado:
Sistemas com Fita Dupla Face: Recomenda-se o uso de fitas específicas para ACM com largura de 19mm, sempre respeitando o cálculo de quantitativo e os procedimentos de aplicação do fabricante (leia mais aqui).
Sistemas Estanques (Vedação com Silicone): * Utilizar exclusivamente silicone neutro.
A junta deve seguir a proporção 2 (largura) x 1 (profundidade), com profundidade mínima de 4mm (leia mais aqui).
A fixação deve ocorrer em duas partes (laterais).
O fundo da junta deve ser preenchido com tarugo de polipropileno (backer rod) para garantir a movimentação do selante.
Sistemas Ventilados: Embora utilizado frequentemente em obras de grande porte, principalmente pela velocidade de instalação, o sistema ventilado não é indicado para regiões litorâneas, especialmente em edificações situadas a menos de 500 metros da linha do mar. Este sistema deixa o verso e os cortes do ACM expostos à névoa salina agressiva.
Ressalva importante: A aplicação do OXIBLOCK para mitigar a corrosão filiforme nas bordas expostas das lâminas de alumínio em painéis de ACM é uma medida eficaz na prevenção de patologias. Contudo, essa solução não viabiliza a adoção de fachadas ventiladas em ambientes de agressividade corrosiva extrema (como zonas de atmosfera marítima severa), onde a exposição contínua compromete a integridade do sistema (leia mais aqui).
3. Desafios em Áreas Litorâneas
Obras localizadas em orla marítima exigem proteção extra contra a névoa salina e a corrosão.
Tecnologia de Pintura: É indispensável o uso de sistemas PVDF COASTAL ou em alguns casos, o ALUSENSE (leia mais aqui).
Proteção Adicional: No sistema PVDF COASTAL, a performance pode ser elevada com a aplicação do verniz hidro-repelente COAT GUARD (leia mais aqui).
Combate à Corrosão Filiforme: Em ambos os sistemas, a aplicação de OXIBLOCK (leia mais aqui) nas áreas expostas das lâminas (bordas cortadas) aumenta significativamente a vida útil do painel e evita patologias estéticas.7
4. ACM para Portas: Resistência à Abrasão
Diferente das fachadas, as portas sofrem contato físico constante, atrito e exposição a diversos produtos de limpeza.
Recomendação Principal: O uso da tecnologia ALUSENSE é o mais indicado devido à sua alta resistência à abrasão.
Opção Econômica: A tecnologia WEATHERXL (WXL) texturizada, de exclusividade da Projeto Alumínio em parceria com a Sherwin Williams, pode ser utilizada como alternativa de custo reduzido (leia mais aqui).
Atenção: Séries convencionais não são recomendadas para portas. Elas apresentam maior fragilidade contra riscos e podem exibir "dots" (pequenos pontos não uniformes) decorrentes do processo industrial, que se tornam visíveis em aplicações próximas ao olho humano.
5. Manutenção e Limpeza
A preservação da estética original do edifício depende de um plano de manutenção regular.
Frequência: Sempre que houver sujeira visual acumulada.
Procedimento: Utilizar água em abundância e sabão neutro.
Limpeza Pesada ou Pichações: Em casos críticos, recomenda-se o uso do Remove Solutions da Móduly, seguindo as instruções do rótulo do produto (leia mais aqui).
Conclusão
A correta especificação do ACM em grandes obras transcende a escolha de uma cor ou acabamento. Ela é uma garantia de segurança estrutural, conformidade legal e preservação do patrimônio. Ao negligenciar normas como a NBR 15446 ou ignorar as particularidades geográficas — como a agressividade do ambiente litorâneo para sistemas ventilados — a construtora expõe-se a custos de manutenção precoces e danos à sua reputação.
Dada a complexidade das variáveis envolvidas — que vão desde o cálculo de cargas de vento até a compatibilidade química de selantes e a resistência à névoa salina — é fundamental que Incorporadoras e Construtoras contratem um especialista em ACM (Consultor Técnico) para o desenvolvimento do projeto e para uma especificação rigorosamente compatível com as exigências específicas da obra. Este profissional atua como uma salvaguarda técnica, evitando patologias futuras e garantindo que o investimento se traduza em longevidade, segurança e valorização real do empreendimento perante o mercado.
Este artigo busca aprimorar o conhecimento de profissionais da área e correlacionados, sempre busque informações do fornecedor e leia os manuais técnicos, pois poderá haver diferentes métodos e orientações.
Este guia visa auxiliar projetistas e gestores de obras na escolha da solução de ACM mais adequada, garantindo que o investimento se traduza em longevidade e segurança para a edificação.

*Os artigos publicados com assinatura são de responsabilidade dos respectivos autores e podem não interpretar a opinião da revista. A publicação tem o objetivo de estimular o debate e de refletir as diversas tendências do mercado, com foco na evolução da indústria de esquadrias e vidro.


