Produtos & Normas: É necessário pensarmos no retrofit e no papel das esquadrias

*Por Fabiola Rago Beltrame – engenheira civil pela FAAP, mestre pela USP,diretora da
Qualidade do IBELQ, e professora no curso de Engenharia Civil do Mackenzie.

Grande parte dos edifícios das nossas grandes cidades passam de 50 anos de idade, cumprindo sua vida útil mínima, mas nem por isso devem ser demolidos.
Estas edificações precisam de manutenção e, em muitos casos, de uma mudança de uƟ lização ou de visual através das técnicas de retrofit. Confundido muitas vezes com uma reforma, o retrofit tem a função de devolver desempenho à edificação, podendo até mesmo aumentar o desempenho atual. Este assunto está abordado na norma ABNT NBR 15575 e suas seis partes, amplamente adotada pelo setor da construção civil. Se quisermos realizar o retrofit de uma edifi cação precisaremos avaliar sua condição estrutural, verificar a necessidade de recuperá-la, avaliar seus parâmetros de proteção contra incêndio, acessibilidade, estanqueidade, desempenho térmico e acústico, entre outros — e não simplesmente alterar a fachada, trocar o piso e pintar a edifi cação, pois isto seria apenas de uma reforma. O retrofit devolve ou melhora os sistemas da edificação e o usuário recebe uma edificação com as mesmas condições de desempenho de uma edificação nova.
Em que ponto a necessidade de redução de emissão de CO2 se conecta com o retrofit qual o papel das esquadrias nesta jornada de sustentabilidade?
A primeira ação do retrofit é o próprio fato da edificação não precisar ser demolida, evitando geração de resíduos e consumo de novos materiais.
Em relação às esquadrias, um estudo europeu da Glass for Europe (www.glassforeurope.com) mostra um potencial de economia de energia em 2030 equivalente a uma redução de 30% no consumo de energia dos edifícios, baseado nas substituições ou manutenção de esquadrias. O estudo reforça que as esquadrias são um componente-chave para o desempenho energético de um edifício.
O desempenho dos vidros aumentou consideravelmente nas últimas décadas e produtos de alto desempenho energético estão agora disponíveis.
O mesmo acontece no Brasil. Vidros eficientes agora podem ser selecionados para oferecer o melhor balanço energético entre as propriedades de isolamento térmico (valor Uw) e a capacidade de capturar ou repelir os ganhos de calor solar (valor g).
Com o tipo adequado de vidro, a economia de energia é maximizada em todos os tipos de edifícios e sob todas as condições climáticas.
Conforme estudo da Glass for Europe, quase metade do potencial máximo de economia identificado para 2030 poderia ser alcançado em 10 anos, dobrando a taxa de renovação de janelas com envidraçamento de alto desempenho. Assumindo-se uma taxa conservadora de 2% de substituição de janelas em toda a Europa como cenário de manutenção das práƟ cas atuais, dobrar a renovação de edifícios, significa que a taxa de subsƟ tuição de janelas chegaria a 4% ao ano e que as janelas com pior desempenho seriam priorizadas para renovação. Claro que esta renovação deve ser seguida da avaliação do desempenho das esquadrias otimizado de acordo com os tipos de edificação e as localizações.
Para que possamos transformar a atual realidade, inclusive com incentivos fiscais adotados por vários países da comunidade europeia, precisamos nos especializar em retrofit e valorizar as edificações existentes e conhecer as técnicas possíveis para melhoria do desempenho, inclusive energético.
Com este objetivo estamos buscando especialistas europeus que nos apresentem técnicas de sucesso para podermos adaptá-las com muito cuidado na nossa realidade brasileira. Uma iniciativa do mercado é a recém-lançada “Escola de Retrofit Pier Gino Mangoni”, que apresentará as técnicas mais recentes e preocupações com o retrofit. O corpo docente é formado por professores italianos e brasileiros e eu terei o prazer de lecionar a disciplina de esquadrias e retrofit. O curso será realizado no início de 2027 e terá dois módulos independentes, mas complementares, um no Brasil e outro na Itália com a visitação de monumentos e edificações que passaram por retrofit no seu conceito total. Mais informações podem ser acessadas no site www.studiomangoni.it
*Os artigos publicados com assinatura são de responsabilidade dos respectivos autores e podem não interpretar a opinião da revista. A publicação tem o objetivo de estimular o debate e de refletir as diversas tendências do mercado, com foco na evolução da indústria de esquadrias e vidro.






