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Foco no vidro: Vidros de controle solar: o retorno do investimento importa?

  • Foto do escritor: Fernando Simon Westphal
    Fernando Simon Westphal
  • há 2 horas
  • 3 min de leitura

*Por Fernando Simon Westphal – engenheiro civil, professor e pesquisador na UFSC, e atua como consultor técnico da Abividro.



Há quase duas décadas venho prestando suporte técnico aos fabricantes de vidro plano para explorar a aplicação adequada do material nas edificações. Desde o início dessa jornada o principal questionamento dos representantes das usinas foi: qual o retorno do investimento em vidros de controle solar? 


Já fizemos diversos cálculos e simulações energéticas para todo o tipo de edificação, padrão de ocupação (comercial, residencial, 24 horas) e climas brasileiros. 


Recentemente, para a pesquisa no desenvolvimento da norma de desempenho para edificações não residenciais, rodamos mais de 100 mil simulações avaliando a variação do consumo de energia em climatização em função do tipo de vidro, orientação solar da fachada, área de janela e climas brasileiros. 


Quatro anos 


De modo geral, posso afirmar categoricamente: o investimento num vidro de controle solar se paga em torno de quatro anos com a economia na conta de energia, pela redução da carga sobre o ar-condicionado. Mas é claro que na engenharia, afirmativas genéricas assim não se sustentam diante de um público mais questionador.


 Eu mesmo, quando era pressionado para “chutar” um valor, eu dizia que era “difícil generalizar, porque cada projeto é um caso, e tudo depende de diversos fatores”. 


Hoje, consigo tirar uma média. Os quatro anos de payback (retorno do investimento) são alcançados com um bom vidro, de baixo custo, com alta reflexão, quando comparado ao incolor comum em uma edificação com uso de ar-condicionado durante o dia. 


Isso vai acontecer em qualquer clima brasileiro, porque temos verões severos em todo o território. Nas regiões mais quentes, minha estimativa está a favor da segurança, pois o período de retorno ocorrerá em dois anos. 


Esse número é surpreendente, porque poucas estratégias de eficiência energética têm um retorno assim tão curto. Mas mesmo com esse cenário promissor, eu raramente (para não dizer “nunca”) encontrei um cliente que estivesse de fato buscando o retorno do investimento. 


Estética e preço-alvo  


Após apresentar os números, es mar o consumo de energia em ar condicionado com vidro incolor versus diferentes opções de controle solar, falar em payback simples, corrigido, Taxa Interna de Retorno, o cliente acaba optando por aquele vidro que atende à estética e ao preço-alvo. Quando se trata de um edifício com certificação LEED, a questão é “o vidro me garante a certificação?”. 


Então, por mais que nos esforcemos para destrinchar os benefícios econômicos de vidros de alto desempenho, na minha opinião, o consumidor brasileiro não se importa com isso. 


E não sei se isso é importante também em outros países. São raros os artigos científicos que tratam do assunto e poucos são os catálogos dos fabricantes que apresentam dados de retorno financeiro. A maioria destaca aspectos estéticos diferenciados de novas linhas de controle solar, baixa reflexão e tonalidades de cor. Mas quando se trata de desempenho, aparecem expressões genéricas, como “alta eficiência”, “maior transmissão de luz”, “maior bloqueio de calor”, “maior isolamento térmico”, sem maiores detalhes. Detalhes esses que venho me descabelando para estudar, quantificar, ilustrar e comprovar há quase 20 anos. 


Nos empreendimentos buscando certificação LEED, toda a consultoria na definição do vidro é guiada pelo aspecto estético e atendimento à pontuação desejada para alcançar o selo. De forma indireta, o alto desempenho é alcançado pelos requisitos estabelecidos na certificação. Por isso destaco a importância dessas ferramentas. Sem elas, estaríamos entregando peles de vidro incolor laminado 4+4 


*Os artigos publicados com assinatura são de responsabilidade dos respectivos autores e podem não interpretar a opinião da revista. A publicação tem o objetivo de estimular o debate e de refletir as diversas tendências do mercado, com foco na evolução da indústria de esquadrias e vidro.


 
 
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