Foco no vidro: Em acústica, como comparar vidro laminado com insulado?

*Por Fernando Simon Westphal – engenheiro civil, professor e pesquisador na UFSC, e
atua como consultor técnico da Abividro.

Qual tipo de vidro resulta em maior isolamento acústico: laminado ou insulado?
Essa discussão costuma puxar longos debates.Então vamos resgatar aqui alguns conceitos e dados e cada um decide a melhor opção para o seu projeto.
A norma europeia EN 12758 (Glass in building – Glazing and airborne sound insulation – Product descriptions, determination of properties and extension rules) estabelece os padrões de referência para determinar o isolamento acústico de composições de vidro, bem como a nomenclatura e índices a serem utilizados para descrever o desempenho.
E tem um detalhe importante. A norma traz uma tabela com dados de referência de
isolamento acústico por faixa de frequência para diferentes composições de vidros. São
valores conservadores, a favor da segurança, mas que permitem a comparação entre vidros monolíticos, laminados e insulados.
Então vamos aos números!
Espessura final
De modo geral, quando comparamos mesma espessura final de vidro, por exemplo, monolítico 12 mm, laminado 12 mm (6+6) e insulado 12 mm (6 + ar + 6), o laminado apresenta o melhor resultado global.
Em algumas faixas de frequência o insulado pode até se sair melhor, mas o laminado vence numa parcela muito maior do espectro sonoro que ouvimos. Mesmo quando avaliamos o vidro insulado assimétrico, por exemplo, uma composição de 8 mm + ar + 4 mm, o laminado ainda é melhor.
Mas o que acontece na prática é que ao migrar de uma especificação de vidro laminado para um insulado, geralmente se aumenta a espessura final da composição. Por exemplo, saindo de um laminado 8 mm para uma composição insulada, costuma-se adotar uma combinação 6 + 4 mm, ou até mesmo 6 + 6 mm (se ambas as chapas tiverem que ser laminadas). Então temos um acréscimo na massa final, que aí sim pode resultar em
desempenho melhor do que o laminado.
A norma EN 12758 traz outros destaques importantes. O texto informa que no caso de vidros insulados assimétricos, tanto faz a ordem dos vidros, ou seja, o mais espesso pode ficar por fora ou por dentro. O isolamento final não muda. Isso vale também para vidro laminado assimétrico. Tanto faz deixar o vidro mais grosso na face externa ou interna da composição.
Variação final no isolamento
E aqui eu faço um adendo. Embora a norma não diga explicitamente se há diferença entre usar laminados simétricos ou assimétricos, a literatura indica que a variação final no isolamento é insignificante, chegando a no máximo 1 dB. Isso não é nem resultado da assimetria das chapas, mas da mudança na sua rigidez.
Quanto mais flexível for um material, melhor o seu isolamento acústico. Por isso que o vidro
laminado de 12 mm apresenta um isolamento melhor do que o monolítico 12 mm, porque o laminado é mais flexível, ou seja, amortece melhor o som. O mesmo conceito se aplica ao PVB acústico, que por ser mais flexível (e não mais denso), absorve melhor o som, aumentando o isolamento sonoro.
O gráfico que ilustra esta matéria traz um comparativo entre o isolamento acústico das três composições de 12 mm citadas no início do texto.
Repare que a composição insulada supera o vidro laminado em apenas 4 faixas de frequência. Teoricamente, se o objetivo é isolar exatamente o ruído nessas faixas, o insulado é a melhor opção. Na prática, para ruídos do cotidiano, com sons predominantes abaixo de 1000 Hz (sons graves), o laminado se sai melhor.
*Os artigos publicados com assinatura são de responsabilidade dos respectivos autores e podem não interpretar a opinião da revista. A publicação tem o objetivo de estimular o debate e de refletir as diversas tendências do mercado, com foco na evolução da indústria de esquadrias e vidro.






