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Foco no Vidro: Considerações sobre inovação e alta tecnologia. Qual a aposta?

  • Foto do escritor: Fernando Simon Westphal
    Fernando Simon Westphal
  • há 14 minutos
  • 3 min de leitura

*Por Fernando Simon Westphal – engenheiro civil, professor e pesquisador na UFSC, e

atua como consultor técnico da Abividro. 



Recentemente um colega me convidou para dar uma palestra sobre inovação tecnológica no vidro. Aliás, volta e meia sou provocado quanto a isso, para falar sobre produtos inovadores e alta tecnologia. Reconheço que geralmente fico no básico: vidros de controle solar para conforto térmico e eficiência energética. Mas como falar em inovação se não aplicamos nem o essencial? Isso sem contar a necessidade de esclarecer o mercado quanto aos requisitos de segurança da ABNT NBR 7199, que em muitas obras são

deixados de lado.


Como falar em inovação num cenário como esse? Não é motivador. Sobre eficiência energética então, já escrevi aqui uma vez que deveria ser proibido entregar janelas com vidro incolor no Brasil. Deveríamos utilizar vidros de controle solar em todas as aplicações de fachada e cobertura em qualquer região do país.


Na coluna da edição anterior eu comentei que estamos há anos desenvolvendo estudos de caso com análise econômica comprovando que o vidro de controle solar se paga em quatro anos. O vidro insulado, em muitas situações, tem um período de retorno bem maior, mas o custo inicial em instalação de ar-condicionado é reduzido e o conforto térmico é incrementado. Ocorre que o projetista do sistema de ar-condicionado não arrisca reduzir a carga instalada, não muda uma vírgula no seu projeto e assume a folga como um backup. Enquanto ao conforto, é difícil converter em percepção e redução de custo operacional para as empresas. O que muda mesmo é se o vidro vai garantir pontuação no LEED, AQUA ou

PROCEL — falei isso na coluna passada. 


Vidros dinâmicos 


Mas vamos às inovações. Além do vidro de controle solar e insulado, que só é inovação no nosso contexto, poderíamos estar falando em vidros dinâmicos, que fazem todo o sentido para o Brasil, tais como os vidros:


• fotocrômicos: que mudam a transmissão luminosa e fator solar conforme exposição à luz (quanto mais luz, mais escuro fica o vidro);


• eletrocrômicos: que mudam de transmissão a partir de um acionamento eletrônico, em função da corrente elétrica aplicada; 


• termocrômicos, que reduzem a transmissão solar com o aumento de temperatura.


São vidros caríssimos, da ordem de 300 a 1500 euros/m2, isso sem contar tarifas de importação aqui para o Brasil. Então esqueça a viabilidade econômica por enquanto. Mas acredito que a inovação é sempre puxada por investidores agressivos, alguém que acredita na tecnologia, que tem mais recursos, e paga para ver.


Desses três tipos que citei acima, acho mais interessante o vidro termocrômico. Li um estudo recente em que os pesquisadores utilizaram uma especificação de vidro laminado 6+6mm com um interlayer de hidrogel de 2mm de espessura. Esse material era ativado a 24 °C, iniciando sua opacidade gradualmente até reduzir em 66% a


transmissão de luz e calor aos 44°C de temperatura. No estudo de caso, a economia de energia com climatização alcançou 14% e o incremento nas horas de conforto térmico próximo ao vidro foi de 50%. São resultados surpreendentes para um vidro laminado. Fico imaginando o potencial de aplicação no Brasil, com climas quentes, mas dinâmicos, ou seja, poderíamos manter a janela transparente no inverno, ganhando calor, e naturalmente bloqueando o sol no verão. Imagine esses pequenos apartamentos nas grandes cidades, com pé-direito duplo na sala e fachada inteiramente envidraçada. Um vidro desse tipo faz todo o sentido. É caro? Sim, mas é comparável aos móveis, louças e metais sanitários que o futuro morador irá instalar no seu imóvel.


Se formos “garimpar” as pesquisas mundo afora, encontraremos muita coisa interessante, mas por enquanto os custos são impraticáveis. Como primeiro passo, sugiro o desafio de eliminar o vidro incolor das nossas janelas.


*Os artigos publicados com assinatura são de responsabilidade dos respectivos autores e podem não interpretar a opinião da revista. A publicação tem o objetivo de estimular o debate e de refletir as diversas tendências do mercado, com foco na evolução da indústria de esquadrias e vidro. 


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