Com a palavra: Como melhorar o conforto térmico no interior de uma edificação?
- Luis Claudio Viesti
- há 12 minutos
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* Por Luis Claudio Viesti, diretor executivo da LM Viesti – Assessoria e Treinamentos, consultor de esquadrias, consultor técnico da Afeal, técnico em edificações pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e designer industrial pela Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP).

O sombreamento de fachadas é uma estratégia bioclimática essencial na arquitetura para bloquear a radiação solar direta, antes que ela atinja o envelope ou o interior de uma edificação.
Em países de clima quente como o Brasil, o uso correto de dispositivos de controle solar melhora significativamente o conforto térmico. Essa técnica também gera uma drástica redução no consumo de energia elétrica, diminuindo a dependência de sistemas de ar-condicionado.
Principais dispositivos de sombreamento (sombreadores)
• Brise-soleils (ou quebra-sóis): Elementos em lâminas que podem ser instalados de forma fixa ou móvel.
• Beirais e Marquises: Prolongamentos da cobertura ou lajes horizontais ideais para proteger as superfícies superiores.
• Muxarabis e Cobogós: Elementos vazados tradicionais que barram o sol direto, permitindo a passagem de luz difusa e ventilação natural.
• Varandas e Terraços: Recuos na fachada que criam zonas de transição e sombreamento profundo para as aberturas.
• Telas e Malhas Metálicas: Elementos tensionados de alta eficiência que filtram a luz sem bloquear totalmente a visibilidade externa.
Orientação solar e estratégia de projeto
As soluções de proteção solar devem ser desenhadas com base na carta solar específica de cada região geográfica:
1. Fachada Norte: Recebe sol alto durante a maior parte do dia. Responde melhor a protetores horizontais (como marquises e beirais) que barram os raios verticais de verão, permitindo o sol baixo de inverno.
2. Fachadas Leste e Oeste: Recebem sol baixo pela manhã e à tarde, respectivamente. A fachada Oeste é criticamente mais quente. Exigem protetores verticais ou móveis, fundamentais para conter raios solares quase horizontais.
3. Fachada Sul: Praticamente não recebe insolação direta no Hemisfério Sul, dispensando grandes dispositivos de sombreamento.
Soluções sustentáveis e inovações
• Fachadas Verdes: O uso de jardins verticais e vegetação em que predominam arbustos nas superfícies contribui para absorver a radiação solar, reduzindo o fluxo de calor para o interior do edifício.
• Fachadas Adaptativas: Sistemas automatizados que movimentam os brises ao longo do dia por meio de sensores conectados, acompanham a trajetória exata do Sol ajudando no sombreamento e conforto térmico.

Algumas soluções utilizadas em nossos projetos
-1- O brise-soleil (ou apenas brise) é um elemento arquitetônico funcional e estético composto por lâminas, utilizado para barrar a radiação solar direta antes que ela atinja o vidro na fachada, reduzindo o calor interno sem bloquear a ventilação e a iluminação natural.
Um ponto importante é a orientação das lâminas. Os brises horizontais sõa indicados para fachadas Norte (no hemisfério Sul), onde o Sol atinge uma posição mais alta durante o dia. Já os brises verticais são ideais para fachadas Leste e Oeste, pois protegem contra o Sol oblíquo e mais baixo do início da manhã e fim da tarde.
Principais materiais para a produção de brises: madeira (oferece excelente conforto visual e toque rústico acolhedor, mas necessita de manutenção periódica contra intempéries); alumínio (destaca-se pela leveza, alta durabilidade e baixa manutenção, com opções modernas que imitam o visual da madeira); e concreto (solução robusta e integrada à estrutura, amplamente consagrada na arquitetura modernista brasileira).
Mecanismo de funcionamento dos brises: fixos (as lâminas permanecem em ângulo estático, calculado previamente de acordo com a geometria da insolação local); e móveis ou orientáveis (permitem o ajuste manual ou automatizado da angulação das aletas ao longo do dia para controle total da luz).
-2- O muxarabi (ou mashrabiya) é um elemento arquitetônico de origem árabe que consiste em um fechamento em formato de treliça ou painel vazado. Sua principal função clássica numa fachada é a de “ver sem ser visto”, garantindo total privacidade interna ao mesmo tempo em que permite a circulação natural de ar e filtra a entrada de luz solar na edificação.
Introduzido no Brasil durante o período colonial (de 1530 a 1822) pelos portugueses, ele foi proibido em 1809 com a chegada da Corte Real, que desejava europeizar as fachadas das cidades. Atualmente, o muxarabi vive um forte resgate na arquitetura contemporânea e no design de interiores.
Principais vantagens do muxarabi: conforto térmico (funciona como um brise natural, reduzindo o calor do sol sem bloquear o vento); ventilação cruzada (os microfuros geométricos mantêm o fluxo constante de ar entre ambientes); privacidade urbana (ideal para fachadas ou janelas de casas e prédios muito próximos à rua); estética marcante (cria um jogo de luz e sombras dinâmico no piso e nas paredes ao longo do dia.
*Os artigos publicados com assinatura são de responsabilidade dos respectivos autores e podem não interpretar a opinião da revista. A publicação tem o objetivo de estimular o debate e de refletir as diversas tendências do mercado, com foco na evolução da indústria de esquadrias e vidro.
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