Edição n°180 julho/agosto 2026
ENTREVISTA: ONAZIR CONCEIÇÃO, DA ALUFORTE ALUMÍNIO

CONTRAMARCO — Fundada em Cascavel (PR), em 1995, sua empresa tornou-se uma destacada distribuidora no mercado de perfis de alumínio para esquadrias, fachadas, guarda-corpos e sistemas de alta performance. Conte um pouco sobre a trajetória da Aluforte e as principais conquistas nesses mais de 30 anos de atividade.
ONAZIR CONCEIÇÃO — A Aluforte construiu uma trajetória pautada pela seriedade, compromisso com os clientes e busca constante pela excelência. Durante sua história, a empresa ampliou sua estrutura física, sua área de atuação e seu portfólio de produtos, acompanhando a evolução do mercado da construção civil e das esquadrias de alumínio.
Atualmente, a Aluforte conta com sede em Cascavel (PR) e filial em Santa Catarina, estrategicamente posicionadas para atender seus clientes com agilidade e eficiência, além de showroom e equipe técnica especializada para suporte comercial e de engenharia. A empresa possui 65 funcionários.
CONTRAMARCO — Ao longo dessa trajetória, as parcerias têm sido importantes para o crescimento da empresa?
ONAZIR CONCEIÇÃO — Sim. Mantemos importantes parcerias com fornecedores reconhecidos nacionalmente, destacando-se a parceria com a Perfil Alumínio do Brasil, oferecendo ao mercado sistemas modernos, seguros e alinhados às mais recentes tendências da construção civil. Seu atendimento abrange clientes de diferentes regiões, fornecendo soluções para construtoras, fabricantes de esquadrias, arquitetos, engenheiros e demais profissionais do setor.
O suporte técnico diferenciado, realizado por meio do DEA – Departamento de Engenharia Aluforte, é um dos grandes diferenciais da empresa, acompanhando projetos desde a especificação até a execução das obras. Entre as principais conquistas ao longo dessa trajetória estão o crescimento contínuo da operação, a expansão da presença nacional, a participação em importantes obras e a consolidação da marca Aluforte como referência em qualidade, confiança e relacionamento com o mercado.
CONTRAMARCO — Para este ano de 2026, a Aluforte está preparando alguma novidade? É possível informar qual?
ONAZIR CONCEIÇÃO — A principal novidade da Aluforte para 2026 é a inauguração de sua nova sede, um importante investimento que reforça o compromisso da empresa e a excelência operacional e a melhoria contínua no atendimento aos clientes. A nova estrutura foi planejada para ampliar a capacidade produtiva, otimizar processos e proporcionar melhores condições de trabalho para os colaboradores, preparando a empresa para atender às demandas futuras do mercado com ainda mais eficiência e qualidade.
CONTRAMARCO — No site aluforte.com.br estão disponíveis diversos exemplos de obras de clientes com produtos fornecidos pela empresa, especialmente sistemas desenvolvidos pela Perfil Alumínio do Brasil. Como tem sido a receptividade e a avaliação dos produtos fornecidos ao mercado, especialmente junto a projetistas, construtores e demais profissionais da construção civil? Há algum acompanhamento durante e após a instalação nas obras?
ONAZIR CONCEIÇÃO — Sim, a Aluforte realiza o acompanhamento técnico das obras por meio do DEA – Departamento de Engenharia Aluforte, prestando suporte durante e após a instalação dos produtos.
CONTRAMARCO — Há algum projeto de incluir o vidro como produto a ser fornecido pela Aluforte? A empresa mantém alguma parceria com fornecedores de vidro? Por quê?
ONAZIR CONCEIÇÃO — Não há, neste momento, projeto para incluir o vidro como produto fornecido pela Aluforte. O mercado conta com uma ampla oferta de fornecedores especializados, com elevada capacidade produtiva e cobertura nacional, o que permite atender adequadamente às demandas dos clientes.
CONTRAMARCO — Avalie, com sua experiência, a evolução da indústria de esquadrias e fachadas no Brasil e as perspectivas para os próximos anos.
ONAZIR CONCEIÇÃO — A Aluforte tem observado que, nas últimas duas décadas, a indústria de esquadrias e fachadas no Brasil saiu da oficina de fundo de quintal para a linha de montagem industrial. Até o início dos anos 2000, o setor era dominado pela serralheria artesanal.
O boom imobiliário do Minha Casa Minha Vida trouxe escala e padronização, com a consolidação das linhas de alumínio. O divisor de águas veio em 2013, com a entrada em vigor da NBR 15575. A partir dela, requisitos como desempenho acústico, estanqueidade à água e resistência às cargas de vento deixaram de ser diferenciais competitivos e passaram a representar exigências normativas, estabelecendo um padrão mínimo de desempenho e qualidade para as edificações, segundo dados da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) e da Associação Brasileira do Alumínio (ABAL). Esse movimento contribuiu para a profissionalização do mercado, elevando os padrões de qualidade e desempenho.
Como consequência, empresas sem estrutura técnica adequada ou sem um departamento de engenharia capacitado têm encontrado cada vez mais dificuldades para se manter competitivas e atender às exigências normativas do setor.
Entre 2020 e 2024, dois choques aceleraram a mudança. Primeiro, a pandemia desorganizou a cadeia de suprimento do alumínio e fez o preço disparar. O PVC, antes restrito à região Sul, ganhou espaço no residencial e hoje já representa cerca de 25% do mercado no Sudeste. O que obriga o setor do alumínio a melhorar cada vez mais. O setor vive uma transição clara: de vender metro quadrado para vender desempenho garantido e resultado mais que satisfatório.
CONTRAMARCO — Quais são as principais mudanças percebidas no mercado de esquadrias no país?
ONAZIR CONCEIÇÃO — Durante esses mais de 30 anos, com nossos executivos e a equipe do DEA – Departamento de Engenharia da Aluforte, percebemos quatro tipos de mudanças e movimentações muito importantes neste mercado:
1. A eficiência energética sai do discurso e vira norma. Incorporadoras de alto padrão já especificam vidros com fator solar abaixo de 0,35. A etiquetagem de esquadrias pelo Inmetro deve se tornar compulsória até 2027. Na prática, sistemas com U-value acima de 2,5 W/m²K ficarão fora de grandes obras comerciais.
2. Industrialização do canteiro. A fachada tipo stick e unitizada, comum em torres corporativas, começam a entrar no residencial médio e alto padrão. Produzir em fábrica e realizar apenas a montagem na obra reduz em até 60% o prazo de execução e diminui a incidência de patologias. Isso exige projeto em BIM, controle dimensional rigoroso e logística impecável.
3. A competitividade entre produtos similares torna-se cada vez mais acirrada. O PVC avança pela estabilidade de preço e isolamento térmico natural. O alumínio reage com perfis europeus com barreira de poliamida e maior inércia e resistência às tensões. O mercado do alto padrão agora se divide entre PVC e esquadrias de alumínio, que se comportam de igual forma e prometem grandes resultados.
4. Falta mão de obra, sobra automação. O serralheiro experiente está se aposentando sem reposição. Centros de usinagem CNC, linhas de solda robotizada e montagem automatizada deixarão de ser luxo e virarão padrão de sobrevivência até para empresas médias, mostrando quem cresce e quem fica pelo caminho.
Nossos profissionais do Departamento de Engenharia da Aluforte (DEA) salientam que o espaço está se fechando para quem apenas reproduz catálogo, sem engenharia, sem ensaio de NBR 10821 e sem garantia de estanqueidade. Cresce quem domina três competências: cálculo estrutural e térmico para atender normas, instalação com rastreabilidade e contrato de manutenção preventiva. A alta performance deixa de ser um luxo e passa a ser uma necessidade para a continuidade neste mercado, que cresce e eleva o nível de desempenho a cada dia.
CONTRAMARCO — O Grupo Contramarco vem realizando diversos eventos que atraem grande público — como, por exemplo, a Feira Internacional da Indústria de Esquadrias (FESQUA) e a FESQUA VETRO (com foco na indústria do vidro para construção civil), ambas realizadas simultaneamente em São Paulo (SP); e o Salão da Indústria de Esquadrias e Vidro (FESQUA VETRO), em Florianópolis (SC). Em sua opinião, qual a importância destes eventos para o setor da Construção Civil e o mercado em que a Aluforte atua?
ONAZIR CONCEIÇÃO — São altamente relevantes para o setor, pois esses eventos proporcionam ampla visibilidade às empresas participantes, contribuindo para o desenvolvimento da cadeia produtiva e gerando inúmeras oportunidades de negócios, networking e apresentação de inovações e tendências. Além disso, promovem a integração entre fabricantes, fornecedores, especificadores e clientes, fortalecendo o mercado e impulsionando a inovação no segmento.



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