Edição n°177 janeiro/fevereiro 2026
ENTREVISTA: PABLO GREPPI, ROTO FERMAX

CONTRAMARCO — Comente sobre sua nomeação na Roto Fermax, as responsabilidades do cargo, sua atuação, experiência profissional e principais objetivos.
PABLO GREPPI — Desde que ingressei na Roto, em 2009, atuei como gerente comercial na Argentina, atendendo também Uruguai, Paraguai, Bolívia, Colômbia, Equador, Chile e Peru. Ao longo desses anos, pude desenvolver um conhecimento profundo sobre o mercado sul-americano e sobre as necessidades específicas de cada país.
Em 2025, tive a oportunidade de assumir a posição de diretor de vendas da América do Sul, um desafio que recebi com grande entusiasmo. Minha responsabilidade hoje é fortalecer nossa presença em toda a região, liderar as equipes locais e promover o crescimento sustentável do negócio.
O Brasil representa um desafio particularmente interessante pela dimensão do mercado e pela amplitude da linha de produtos disponíveis. Meu principal objetivo é impulsionar o crescimento da Roto na América do Sul, especialmente por meio da integração de novas soluções do Grupo Roto, como as borrachas da Ultrafab, as janelas de teto produzidas na Alemanha e outras inovações que estamos incorporando ao portfólio.
CONTRAMARCO — Relembre de forma resumida a trajetória da empresa no Brasil como marca ligada à indústria de esquadrias — destacando alguns pontos e conquistas importantes.
PABLO GREPPI — A história da Roto Fermax é marcada por solidez, evolução e inovação. A empresa nasceu em 1974, ainda como “Fermax”, tornando-se referência nacional na fabricação de ferragens para janelas e portas. Em 2007, demos um passo estratégico com a fundação da Roto Frank Latina, sediada em Buenos Aires (Argentina), para atender oito países com estrutura técnica e comercial dedicada.
O marco decisivo veio em 2013, quando o Grupo Roto adquiriu a Fermax Brasil, criando a Roto Fermax e unindo duas marcas especializadas em ferragens para portas e janelas. Essa integração ampliou nossa tecnologia, capacidade produtiva e presença no mercado.
Desde então, vivemos conquistas importantes: superamos 12 milhões de articulações produzidas em 2019; recebemos autorização para utilizar o selo “German Made”; fomos a primeira fabricante a certificar articulações conforme a ABNT NBR 15969-4:2017; comemoramos 10 anos da aquisição da Fermax pelo Grupo Roto; implantamos uma nova estação de pintura eletrostática homologada pela matriz na Alemanha; e concluímos recentemente uma reestruturação estratégica que integra de forma ainda mais eficiente as operações de toda a América do Sul. Essa trajetória reflete nosso compromisso permanente com qualidade, inovação e evolução.
CONTRAMARCO — Se possível, comente sobre investimentos, novas tecnologias ou lançamentos recentes da Roto Fermax:
PABLO GREPPI — Temos trabalhado fortemente para elevar nossa eficiência e ampliar nossa capacidade de atendimento na região. Entre os investimentos mais recentes, destaco:
• Estrutura: a partir de fevereiro de 2026, a Roto Frank Latina mudará para um novo armazém na Argentina, ampliando o espaço de 1.000m² para 2.500m². Essa expansão dará suporte ao crescimento do portfólio e à demanda crescente nos oito países atendidos pela operação.
• Linha de produção: em 2025, fomos selecionados pelo Grupo Roto, após uma concorrência global entre todas as plantas, para fabricar uma nova linha de cremonas multiponto para janelas de correr. É um reconhecimento importante da nossa capacidade industrial e da qualidade do nosso processo produtivo.
• Máquinas e equipamentos: estamos investindo na modernização e ampliação de nossa estrutura fabril para garantir mais agilidade, precisão e produtividade, alinhados aos padrões globais do grupo.
• Equipe: a reestruturação iniciada em 2025 também traz uma integração mais robusta entre as equipes da Argentina e do Brasil, aproximando áreas técnicas e comerciais e elevando a colaboração entre os países.
• Atendimento ao cliente: com essa integração e expansão, fortalecemos nossa presença em toda a América do Sul, garantindo maior proximidade com clientes locais e regionais, com suporte mais ágil e especializado.
CONTRAMARCO — Como estão as perspectivas para 2026 e os desafios no mercado da construção civil para seu trabalho como executivo na empresa?
PABLO GREPPI — As perspectivas para 2026 são positivas em vários mercados da região. A Argentina, em especial, apresenta sinais econômicos que indicam um ano de recuperação e maior dinâmica comercial.
No Brasil, por outro lado, teremos um ano marcado pelas eleições presidenciais, o que pode gerar cautela e influenciar alguns investimentos no setor da construção civil. Mesmo assim, seguimos confiantes na força das nossas soluções e na capacidade de adaptação da empresa para continuar crescendo de forma consistente.
CONTRAMARCO — De uns tempos para cá, é possível observar no mercado construtor a proximidade — a sinergia cada vez maior — entre o trabalho dos vidraceiros e dos fabricantes de esquadrias (muitos destes também atuando como sistemistas). Qual é sua visão sobre essa tendência crescente de integrar essas duas atividades profissionais em uma só e a importância dos componentes no resultado final da instalação e uso das esquadrias nos edifícios?
PABLO GREPPI — Vejo com muita naturalidade — e até como um avanço necessário — a aproximação cada vez maior entre vidraceiros, fabricantes de esquadrias e sistemistas. Essa integração fortalece todo o mercado, gera eficiência e garante um resultado final muito superior para o consumidor.
A qualidade dos componentes é determinante para a durabilidade e a performance da janela, seja ela totalmente em vidro ou integrada a perfis.
Sempre digo que a vida útil de uma janela é diretamente proporcional à qualidade das ferragens utilizadas. Ou, reforçando em espanhol: “la vida útil de una ventana es exactamente lo que duran sus herrajes. Elegí tecnología alemana”. (*)
(*) Em tradução livre: “a vida útil de uma janela é exatamente o tempo que seus componentes mecânicos duram. Eu escolhi a tecnologia alemã”.


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