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Edição nº163 set/out 2023

ENTREVISTA:
RAFAEL RIBEIRO, PRESIDENTE DA ABRAVIDRO 

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Os desafios da nova gestão na defesa e evolução do vidro plano

CONTRAMARCO —  Fundada em 1990, a Associação Brasileira de Distribuidores e Processadores de Vidros Planos (Abravidro) é uma entidade de classe sem fins lucrativos que reúne empresas da indústria vidreira de todo o país, incluindo também sindicatos e associações regionais. Conte um pouco sobre a importância da entidade para o mercado vidreiro no Brasil.

RAFAEL RIBEIRO — Nos seus mais de 30 anos de história, a Abravidro conquistou seu espaço como referência no mercado vidreiro, por sua atuação firme e ampla. A entidade é voz ativa da cadeia de processamento e distribuição, trabalhando fortemente pelo desenvolvimento do mercado vidreiro em diversas frentes: normalização, treinamento e qualificação de profissionais da cadeia vidreira e especificadores, defesa de interesses, geração de dados setoriais, conteúdo informativo multiplataforma, além da realização de eventos como o Simpovidro e a Glass South America. Exemplo da atuação da Abravidro no desenvolvimento do mercado foi o lançamento do Educavidro (educavidro.com.br), plataforma de educação à distância desenvolvida em parceria com a Associação Brasileira das Indústrias de Vidro (Abividro), que tem o objetivo de ampliar a divulgação de conteúdo técnico sobre o nosso material.
 
CONTRAMARCO —
Em assembleia realizada no dia 27 de abril, o Conselho Deliberativo da Abravidro elegeu a nova diretoria executiva e o conselho fiscal para o triênio 2023-2026. No evento, seu nome foi indicado para ocupar a presidência da entidade, com mandato a partir de 1º de junho. Com a eleição na Abravidro, seu cargo de presidente do Sindicato das Indústrias de Vidros, Cristais, Espelhos, Cerâmica de Louça e Porcelana no Estado do Rio Grande do Sul (Sindividros-RS) será transferido para outro dirigente? Por favor, indique o nome dele. Ou informe se os cargos de presidente serão acumulados nas duas entidades.

RAFAEL RIBEIRO — Os dois cargos serão acumulados. 

CONTRAMARCO — Descreva, em linhas gerais, seus planos para a Abravidro no período de sua gestão. Há novidades a caminho? Se possível indique quais são os principais desafios.

RAFAEL RIBEIRO — Os desafios são grandes, e permanentes! Muitos temas foram enfrentados e muitos avanços foram alcançados nas gestões de meus antecessores. Em primeiro lugar, manter as conquistas obtidas, o reconhecimento que a entidade atingiu em sua trajetória. Com equilíbrio, seriedade e responsabilidade. A partir disso, buscar evoluir no que for possível. E talvez a principal bandeira de trabalho dessa nova gestão seja o debate a respeito do regime tributário do setor. Estamos situados em um segmento de investimento constante, seja por parte das usinas de base (não representadas pela Abravidro), seja por parte dos transformadores. Assim, precisamos de um ambiente de negócios mais sadio e equilibrado, em que os diferenciais competitivos resultem da competência de gestão de cada agente, e não da criatividade tributária de alguns participantes. 

CONTRAMARCO — Comente um pouco sobre a importância da normalização do setor vidreiro e as atividades do Comitê Brasileiro de Normas Técnicas ABNT/CB-37. 

RAFAEL RIBEIRO — No setor vidreiro, assim como em outros setores, norma é sinônimo de segurança e qualidade. As normas fornecem os parâmetros de produção e avaliação do vidro, o que é fundamental para a qualidade do produto. Elas também são muito importantes nas diversas aplicações em que o vidro está presente, pois definem as regras de qual vidro deve ser utilizado para garantir a segurança para os usuários. Neste sentido temos normas de aplicações de vidros nos setores da construção civil, automotivo, moveleiro e de linha branca. Um exemplo disso é a norma ABNT NBR 7199, que é a mais importante do setor vidreiro. Ela estabelece o tipo de vidro adequado para as inúmeras aplicações onde o material é exigido, como fachadas, janelas, entre outras, garantindo além da segurança, o melhor desempenho em sua utilização. Todo profissional que trabalha com vidro deve conhecer e atender aos requisitos desta norma. O ABNT/CB-37 – Comitê Brasileiro de Vidros Planos, sediado na Abravidro e em atividade há 25 anos, é responsável pela elaboração e revisão das normas do setor vidreiro e conta com 38 normas vigentes publicadas.

Atualmente, o CB-37 tem os seguintes projetos em andamento: revisão da ABNT NBR 14698 – Vidro temperado; e atualização parcial da ABNT NBR 7199 – Vidros na construção civil – Projeto, execução e aplicações. Também participamos ativamente de outros projetos de norma onde o vidro é citado, como por exemplo: revisão da ABNT NBR 14718 – Guarda-corpos para edificações; elaboração da Parte 8 da norma de esquadrias, ABNT NBR 10821 – Fachadas-cortina; elaboração da norma de ferragens para vidros, ABNT NBR 16835; elaboração de normas sobre eficiência energética em edificações; revisão da norma de iluminação natural; e revisão da norma de forças devidas ao vento.

CONTRAMARCO — Faça uma avaliação sobre a cadeia produtiva do vidro plano no Brasil, as perspectivas do mercado local para o produto e assuntos correlatos. 

RAFAEL RIBEIRO — O setor vidreiro nacional registrou um crescimento significativo na última década. Neste período tivemos um incremento importante no número de fornos de float em atividade no país, com a entrada de dois novos players. Resultado disso é que hoje o Brasil tem 70% dos fornos de float da América Latina, embora corresponda a apenas 50% do PIB da região. No elo da cadeia de processamento não foi diferente, com o crescimento do número de empresas, de fornos de têmpera e modernização do parque industrial. Isso tudo demonstra o potencial do mercado nacional.A produção nacional de vidros processados não automotivos vem crescendo ano a ano, como demonstra o “Panorama Abravidro”, estudo econômico produzido anualmente pela entidade. Temos conseguido aumentar a participação dos vidros de valor agregado no volume produzido anualmente, o que mostra que a cadeia vem atuando de maneira consistente para colocar no mercado produtos mais seguros e que agreguem mais benefícios às suas aplicações, nas diversas indústrias que consomem nosso material: construção civil, automotiva, moveleira, refrigeração industrial, linha branca e energia solar fotovoltaica. No entanto, no mesmo período, também temos enfrentado uma deterioração do ambiente de negócios decorrente da informalidade, fator que traz grande preocupação para a Abravidro.

CONTRAMARCO — O uso do vidro na indústria de esquadrias tem sido cada vez mais frequente nos projetos arquitetônicos contemporâneos, tornando-o um “parceiro inseparável” das esquadrias. Esta união vidro+esquadria é benéfica para ambas as indústrias? Por quê?  

RAFAEL RIBEIRO — O vidro sempre esteve presente na composição da esquadria e vem agregando ao longo do tempo cada vez mais benefícios a ela, com participação especial na segurança, no conforto acústico e térmico do ambiente, bem como na valorização do produto final. A arquitetura tem buscado nos últimos anos maior integração entre o ambiente interno e o espaço externo das obras. Para alcançar isso, boa parte das construções modernas tem algo em comum: o uso de esquadrias de grandes dimensões, cuja função é aumentar a área de transparência, fazendo com que os benefícios oferecidos pelo vidro sejam maximizados. A união vidro+esquadria é muito benéfica, tanto para a indústria do vidro quanto para a indústria de esquadrias, pois permite a soma de esforços para conseguirmos entregar ao mercado produtos de qualidade superior, que agregam alto desempenho e benefícios que podem, inclusive, promover a eficiência energética das edificações reduzindo o consumo de energia.

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