PESQUISA MOSTRA FALTA DE PLANOS DE CONTINGÊNCIA PARA INCÊNDIOS

Só 14% das empresas contam com sprinklers em todas as unidades e apenas 54% dizem ter planos de contingência  para enfrentar essas ocorrências 

 

 Reprodução: Skop Sprinklers

 

As empresas com operações no Brasil atribuem alta relevância a riscos de incêndio para suas operações, mas é pequeno o número das companhias que já conta com sistemas mais avançados de combate às chamas em suas instalações.

 

Os dados constam de pesquisa realizada pelo Instituto Ipsos junto a empresas multinacionais e de capital nacional com mais de 250 funcionários a pedido do Instituto Sprinkler Brasil, entidade sem fins lucrativos que trabalha para disseminar a cultura de sistemas de prevenção e combate a incêndios no ambiente empresarial. Foram realizadas 300 entrevistas telefônicas com o responsável ou que participa diretamente na tomada de decisão de investimentos de sistemas prediais das empresas entre os dias 01 e 28 de maio com margem de erro de 5,7 ponto percentual em todas as regiões do Brasil.

 

Os dados do levantamento mostram que 77% das empresas consideram muito importante o risco de incêndio para seus negócios e que 82% dizem ter clareza do impacto que este tipo de ocorrência pode gerar para suas operações.

 

A pesquisa mostra ainda que 85% das companhias dizem levar em consideração as condições de prevenção a incêndio na hora de contratar um espaço (prédio ou galpão) para abrir unidades de produção ou distribuição.

O discurso, entretanto, não bate com a prática. O levantamento mostrou que das 300 empresas entrevistadas pelo Ipsos, apenas 36% contam com sprinklers (chuveirinhos automáticos para combate às chamas) em suas instalações.

 

O levantamento mostrou ainda que apenas 14% das empresas entrevistadas dizem contar com sistema deste tipo em todas as suas unidades e 22% declararam contar com o sistema em apenas algumas unidades operacionais. A pesquisa também apontou que o uso de sprinklers é maior entre as multinacionais. E 48% das empresas estrangeiras, com operações no país, ouvidas disseram ter sprinklers em suas operações. Entre as empresas nacionais, o índice é de 34%.

 

O porte também influi na decisão. O índice de uso sprinklers em empresas com mais de 500 funcionários é de 45%. Entre empresas menores, com 250 a 499 funcionários, o percentual é de 28%.

Gestão

 

"Os dados mostram que há sensibilidade para o tema, mas as empresas não estão de fato preparadas para enfrentar grandes incêndios, que podem afetar a viabilidade do negócio", diz Marcelo Lima, diretor-geral do Instituto Sprinkler Brasil.

 

As fragilidades não estão somente nas instalações. A pesquisa mostra que a gestão das empresas ainda não absorveu integralmente o risco de incêndio em seu planejamento estratégico. O levantamento mostrou, por exemplo, que apenas 54% das empresas entrevistadas afirmam categoricamente que contam com plano estruturado de retomada de negócios em caso de incêndio. O índice é de 51% entre as empresas de capital nacional e de 65% entre as empresas multinacionais.

 

O controle da cadeia de suprimentos também apresenta fragilidades. A pesquisa mostra que 57% das empresas afirmam categoricamente que solicitam planos de prevenção para seus parceiros de negócios e fornecedores de insumos. Neste caso, a prática e adotada de forma mais consistente (59%) entre as empresas de capital nacional que nas multinacionais (51%).

 

"A maioria das empresas não vivenciou um grande incêndio e isso torna o risco um pouco distante de sua realidade", avalia Lima. Segundo o levantamento, 30% das empresas (a minoria) disseram já ter sido afetadas por um incêndio em sua história. E destas, 46% disseram que o impacto foi baixo e 35% avaliaram como moderado. Apenas 16% dos respondentes disseram que a ocorrência prejudicou as operações e levou à interrupção do trabalho.

 

O levantamento Ipsos avaliou ainda o perfil de investimentos em sistemas de combate a incêndio nas empresas. De acordo com a pesquisa, 71% dos respondentes gastam exclusivamente o previsto em lei. Apenas 22% investem acima do exigido pelas autoridades. Entre as empresas brasileiras esse índice é de 19%. Entre as multinacionais, sujeitas a controles globais mais rígidos, 35% das empresas investem acima do que prevê a legislação brasileira de prevenção e combate a incêndio.

 

"O Brasil vem avançando em protocolos para este tipo de risco, mas ainda há deficiências na legislação. Isso explica o investimento maior das multinacionais, que têm que prestar contas aos controladores lá fora", avalia Lima.

 

A pesquisa detectou que relatos de grandes incêndios não são suficientes para mobilizar as empresas em torno da questão. Apenas 23% das companhias entrevistadas disseram pensar em investir ou em aumentar os recursos para sistemas de combate a incêndio após grandes ocorrências.

 

 

Please reload

Publicidade:
banner_saie.gif
banner_premiomarca.gif

Tel: +55 (11) 5539-3200