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MUSEU DO IPIRANGA CONCLUI RESTAURAÇÃO DO EDIFÍCIO HISTÓRICO

Instituição inicia agora a montagem das exposições e a instalação de equipamentos para modernização, como elevadores


Reprodução: Folha de S.Paulo/Foto: Eduardo Knapp/Folhapress

Após dois anos e meio de reformas, o Museu do Ipiranga concluiu a restauração de seu prédio de maior valor arquitetônico, o edifício-monumento, fundado em 1895 a partir de projeto do italiano radicado no Brasil Tommaso Gaudencio Bezzi (1844-1915).


Em fevereiro deste ano, a instituição havia terminado a recuperação de 7.600 m² de fachadas, ou seja, toda a parte externa do prédio. Nesta semana, a restauração dos ambientes internos, que incluem saguão, salas de exposição e corredores, foi finalizada.

Todo o processo contou com o trabalho de 54 profissionais, entre restauradores, pedreiros, pintores e estucadores (responsáveis pela aplicação da argamassa). “É a maior obra que faço em termos de tamanho e complexidade”, diz Marcelo Sancho, sócio-diretor da empresa contratada pela Fundação de Apoio à USP (Fusp) para assessorar os trabalhos de restauração.


A restauração é uma etapa importante, mas não a última até a reabertura do museu, prevista para 7 de setembro de 2022, no bicentenário da independência. No caso do edifício-monumento, os próximos passos são: a montagem das exposições permanentes, que começa nos próximos dias; a finalização dos equipamentos de modernização (elevadores, principalmente); e a instalação do aparato multimídia, que vai auxiliar os visitantes.


É preciso lembrar, no entanto, que o complexo chamado de Novo Museu do Ipiranga vai além desse prédio de 127 anos. Há ainda a nova área construída, que fica à frente e abaixo do edifício-monumento, onde estarão duas amplas entradas para o museu, um auditório, um café e um salão para exposições temporárias, entre outras áreas; e o jardim francês, situado logo à frente deste novo pavimento.


No edifício-monumento, porém, os números expressam o detalhismo do projeto, caso dos ladrilhos hidráulicos coloridos nos pisos dos corredores, que foram comprados da empresa franco-alemã Villeroy & Boch no final do século 19. Cerca de 1.300 peças foram restauradas pela Concrejato, construtora responsável pela execução do projeto, sob a supervisão de Sancho, e por volta de 700 ladrilhos foram reproduzidos à moda dos antigos e os substituíram.


Reprodução: Folha de S.Paulo/Foto: Eduardo Knapp/Folhapress

No Salão Nobre, feito com pinha de riga (madeira em processo de extinção), o assoalho passou por diversas intervenções, como decapagem (remoção da tinta), reparação de danos que precisem de enxertos, polimento, lixação e pintura. Houve, por fim, um cálculo para devolver cada taco ao seu local de origem, esse processo ocorreu da mesma forma nas demais salas do prédio.


Os ornamentos nas paredes do Salão Nobre também foram submetidos a uma série de procedimentos. Primeiro, análises em laboratório das argamassas utilizadas originalmente, a fim de alcançar a reprodução mais fiel possível. Depois, a decapagem e a limpeza dos ornamentos. Em seguida, a retirada das partes frágeis das peças para, após recuperação, devolvê-las às paredes. Por fim, a aplicação da argamassa, trabalho que requer cuidado extremo.


Esse trabalho trouxe uma revelação. Até poucos anos atrás, os funcionários do museu acreditavam que alguns dos ornamentos desse salão eram revestidos por lâminas de ouro. Estavam escuros, supunham eles, devido à oxidação do metal. Investigações recentes, conduzidas por diversas equipes ligadas à reforma, mostraram que foram usadas, na verdade, outras substâncias de pigmentações diversas, que buscavam a aparência dourada. Definitivamente, não era ouro. Esses ornamentos foram, ao fim, pintados com o mesmo tom de amarelo que cobre todas as paredes internas e as fachadas.


Essas intervenções no Salão Nobre foram realizadas sem que a tela "Independência ou Morte", de Pedro Américo, fosse retirada do espaço, dadas as suas dimensões (7,6 m por 4,1 m). O quadro foi restaurado dentro da sala de 2017 a 2019 e depois passou a ser protegido por um tecido especial, que impede a entrada de pó, mas permite que a obra "respire". As outras obras de arte que ocupavam os nichos do Salão Nobre estão em reservas técnicas e serão devolvidas ao espaço nos próximos meses.


A escadaria de mármore de Carrara, que liga o saguão ao Salão Nobre, estava em estado razoável. Depois de uma limpeza minuciosa, os degraus receberam a aplicação de substâncias de proteção. Instaladas ao longo da escadaria, as 17 ânforas de cristal, com bases de bronze, também foram recuperadas.


A ampla reforma do novo complexo, que vai dobrar a área do museu, custará R$ 211 milhões. As fontes de financiamento são, sobretudo, patrocínios diretos e aportes por meio da Lei Rouanet.


Fonte: Folha de S. Paulo

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