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Edição nº165 jan/fev 2024

ENTREVISTA: CRESCÊNCIO PETRUCCI JÚNIOR, CONSULTOR 

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CONTRAMARCO — Conte, de forma resumida (se possível), suas origens, seus primeiros anos e etapas que o conduziram profissionalmente ao posto que exerce hoje no ramo de Consultoria e Engenharia.

CRESCÊNCIO PETRUCCI JÚNIOR — Eu tinha 14 anos quando comecei a trabalhar. Muito jovem, meu primeiro emprego foi em chão de fábrica em uma das principais fábricas de esquadria da época, a Prando & Pavanello, que ficava no Bairro do Limão, onde eu morava na capital paulista.


Era década de 1980. Eu perdi meus pais muito cedo. A vida rapidamente me tirou do jogo de futebol no campinho, das pipas e dos carrinhos de rolimã na rua. A realidade era bem diferente, que me exigia mais responsabilidade e disciplina.

Entre cortar, usinar, furações, fresas, parafusos e montar as esquadrias de alumínio, essa foi, sem dúvida, a grande oportunidade de aprender uma profissão. Mas eu não tinha a menor ideia do que tudo isso viria a representar no meu futuro profissional. Ali mesmo na Prando & Pavanello, tive espaço e determinação para ampliar o conhecimento na área de projetos, orçamento e fabricação de esquadrias de ferro e de alumínio. Isso porque aquela empresa tinha a inovação no seu DNA. Tive também a oportunidade e a sorte de muitos dos projetos emblemáticos da época e sistemas inovadores de esquadrias estarem sendo desenvolvido nessa empresa, quando eu já atuava como projetista.

Percebi que estava no caminho certo e boa parte pavimentado para cursar engenharia na universidade e buscar outras especializações. Meu interesse em saber mais sobre esquadrias e a empolgação para resolver os problemas eram cada vez maiores.


Fiquei 12 anos nessa empresa, e quando saí continuei no mesmo ramo. Trabalhei por mais nove anos na Mário Newton Leme Consultoria, uma das pioneiras e mais importantes empresas de projeto e consultoria de esquadrias. Mais uma vez essa minha inquietação encontrou terreno fértil para crescer e se fortalecer.

Começar como consultor no setor de esquadrias, no final da década de 1990, foi outro grande desafio. Havia resistência e questionamentos dos fabricantes de esquadrias em relação a meus conhecimentos e minha bagagem. Especialmente pela minha pouca idade, uns vinte e poucos anos, e aparência muito jovem. Tive de ouvir muitas vezes a pergunta: “Quantos anos você tem?” e a resposta “Pois saiba que eu tenho mais anos de profissão do que a sua idade”.


Nesse período foi preciso mostrar personalidade, firmeza e convicção na forma de atuar, principalmente para discutir soluções técnicas com os donos e projetistas das grandes empresas de esquadrias. Claro que sempre com muito respeito, e conquistando a confiança de todos através das soluções apresentadas.

CONTRAMARCO — Com toda essa experiência profissional reunida em seu currículo, qual foi o próximo desafio?

CRESCÊNCIO PETRUCCI JÚNIOR — A história da Crescêncio Engenharia começa em 2006. Nossa trajetória nesses pouco mais de 17 anos sempre foi marcada pela inovação e pioneirismo, como forma de dar respostas mais adequadas às necessidades e exigências dos clientes.


O primeiro trabalho veio seguido de um grande desafio. Tratava-se nada mais, nada menos, do que a sede da Petrobras, em Macaé (RJ). Ali, tivemos de desenvolver uma solução inédita de brise com mais de 400mm de largura totalmente unitizado.

Foi um belo batismo, e a partir daí seguiram-se vários outros projetos na cidade de São Paulo e por todo o país. Sempre para grandes construtoras e incorporadoras.

Em 2009, a participação no projeto do Spazio Faria Lima, na capital paulista, foi outro marco importante da empresa, em parceria com a Construtora Kauffmann. Para esse empreendimento criamos o primeiro sistema de fachada unitizada no país, desenvolvido totalmente por uma empresa de consultoria.

Em 2010, foi a vez do Complexo Empresarial JK, com a Construtora WTorre. Esta foi a primeira obra de fachada-cortina unitizada, na qual o perfil decorativo foi instalado junto com os painéis de fachada em um sistema sem barra de ligação vertical. Tivemos outra novidade: foi utilizado o sistema de ancoragem dinâmica, com regulagem de nível com cerca de 80mm.

CONTRAMARCO — Na época, o aumento da demanda fez sua empresa ampliar a estrutura?

CRESCÊNCIO PETRUCCI JÚNIOR — Até então, a Crescêncio Engenharia era tocada por um núcleo restrito e familiar, formado por mim, minha esposa Andrea e meu filho Vinícius. Mas o aumento da demanda e a rápida expansão dos negócios levou à constituição de uma empresa maior em 2010, com a chegada de meu irmão Júlio César, e a contratação do primeiro funcionário, Wellington Farias.

Em 2012 mais um projeto com ineditismo: a construção do Nações Unidas III, projeto da WTorre na capital paulista. Aqui houve uma boa dose de ousadia, porque a fachada desse edifício foi fabricada integralmente na China, o que demandou o desenvolvimento de soluções e logísticas até então inéditas no mercado brasileiro.

Nesse momento, o mercado internacional estava mergulhado na crise financeira, desencadeada pelo estouro da bolha no setor imobiliário norte-americano (crise do Subprime). Foi isso que fez a maior empresa de fachada do mundo, a chinesa Shenyang Yuanda, direcionar os seus negócios para o Brasil. Entendeu-se que se tratava, portanto, de uma boa oportunidade para a sua contratação. Fomos para a China e asseguramos que a fachada atendesse a todas as normativas brasileiras através de ensaios de desempenho de um projeto inovador. 

Em 2013, no projeto das duas torres do São Paulo Corporate Towers, empreendimento também conhecido como edifício Viol, a questão foi resolvida levando um protótipo da fachada para testes complexos de desempenho em Miami, nos Estados Unidos. Por suas dimensões e geometria não havia no Brasil um laboratório com capacidade para execução desses ensaios, inclusive o térmico e o de ação dinâmica do vento. Voltamos de Miami com a certeza da viabilidade do sistema.

Nesse mesmo ano, a Crescêncio Engenharia participou do projeto de expansão do Terminal 3 do Aeroporto de Cumbica, em Guarulhos (SP). Uma obra que trazia como elemento desafiador a questão do prazo. Isso por conta da Copa Mundial de Futebol, que aconteceria no ano seguinte, em 2014, no Brasil. Trabalhamos no desenvolvimento de um sistema pioneiro de fachada unitizada, o primeiro e único com estrutura horizontalizada, garantido velocidade e qualidade de execução. A rapidez na construção está registrada no Guinness, o livro dos recordes.

Em 2014, mais uma solução inovadora, desta vez para o edifício WTorre Morumbi. Foi necessário desenvolver uma solução de fachada que pudesse absorver uma movimentação diferencial entre as torres de mais ou menos 16cm, mas sem interferir no aspecto visual e desempenho da fachada-cortina.

Em 2015, tivemos nossos serviços estampados em outro cartão postal da capital paulista, às margens do Rio Pinheiros, no Brookfield Towers, em parceria com a construtora de mesmo nome. Lá foi preciso desenvolver um sistema também inédito, que permitisse o escoamento da água da fachada com inclinação positiva, de geometria complexa.

Nesse mesmo ano, participamos da construção do Allianz Park, o estádio da Sociedade Esportiva Palmeiras, com o projeto de esquadrias e guarda-corpos do empreendimento, além da fachada do prédio de imprensa.

Em 2016, a Crescêncio Engenharia participou do projeto do Vitra da JHSF, em São Paulo. Um prédio com fachada-cortina unitizada com geometria complexa e sistema de janelas oscilo paralelas. Até aquele momento, tratava-se do primeiro e único projeto no mundo a incorporar esse tipo de esquadria em uma fachada glazing.


No ano seguinte, em 2017, veio o primeiro grande reconhecimento do mercado pela qualidade de nossos serviços. Recebemos a “Certificação Prata” do Sistema de Qualificação de Consultoria em Esquadrias (SQCE) do Centro de Tecnologia em Edificações (CTE).

Também em 2017, participamos do projeto da Tecnisa, o Jardim das Perdizes, um empreendimento com prédios corporativos, moradias e centro comercial. Além deste, trabalhamos também no Epic Tower, em Balneário Camboriú (SC), com fachada unitizada com geometria côncava voltada para o mar, onde foi necessário desenvolver uma solução inédita para as janelas do tipo maxim-ar, assegurando a vedação e o desempenho da esquadria naquela condição adversa.

Percorrendo essa trajetória, em 2018, conquistamos o nível máximo de certificação no SQCE, atendendo a 100% das exigências para obtenção do selo ouro do CTE. Nesse mesmo ano, tivemos dois projetos emblemáticos como novos e grandes desafios da Crescêncio Engenharia: primeiro, as torres gêmeas do YachtHouse Residence Clube, em Balneário Camboriú, então o edifício residencial mais alto da América Latina, com mais de 80 pavimentos e quase 300m de altura; e o segundo, o Birmann 32, um dos maiores empreendimentos corporativos da cidade de São Paulo, cuja fachada, assim como a do Viol, foi ensaiada em Miami, nos Estados Unidos, com acompanhamento e orientação de nossa equipe.

Em 2019, o destaque ficou por conta de dois projetos: One Tower, em Balneário Camboriú, com sua fachada unitizada e vencedor do edifício residencial mais alto da América Latina; e o Faria Lima Plaza, bem no centro do Largo da Batata em Pinheiros, São Paulo (SP), com sua geometria complexa, inclinações acentuadas positivas e negativas, assinada pelos escritórios de arquitetura KPF dos Estados Unidos e KOM do Brasil. Neste empreendimento, a movimentação e o deslocamento da estrutura de concreto foram, sem dúvida, o maior desafio para a solução do sistema de fachada e para o processo de montagem. Sem falar, é claro, que em duas faces da fachada os montantes não são alinhados.

CONTRAMARCO — Com todo esse histórico de desafios, que lições foram absorvidas em sua vivência profissional?

CRESCÊNCIO PETRUCCI JÚNIOR — Toda essa longa trajetória nos permite hoje entender e atender as necessidades dos nossos clientes, apresentando soluções consistentes, desempenho e custo adequados. Isso reflete na simplicidade do projeto, favorecendo o fabricante de esquadria na redução do risco e aumentando a sua produtividade e qualidade, gerando resultados positivos para os empreendimentos.

CONTRAMARCO — Descreva a importância e a necessidade de ter bons especialistas no momento de se construir um empreendimento, seja ele de padrão econômico, médio ou alto padrão. 

CRESCÊNCIO PETRUCCI JÚNIOR — Os empreendimentos estão se distanciando cada vez mais do comum, seja pelo design e inovação, buscando formas geométricas únicas e de grande impacto visual, assim como no desempenho e eficiência de cada sistema embarcado na construção, inclusive as esquadrias. Tudo isso para se destacar em um mercado cada vez mais competitivo e com necessidade para  atender um público cada vez mais exigente.

Nesse cenário bons especialistas são fundamentais para alcançar esses objetivos. Eles possuem larga experiência, muita criatividade e conhecimento técnico sólido para reunir e trabalhar com um conjunto de informações, cada vez maior, e apresentar soluções consistentes para o empreendimento. Os materiais e tecnologia estão sempre evoluindo, e os bons especialistas estão constantemente se atualizando para oferecer as soluções mais adequadas para atender às necessidades de cada projeto, inclusive manter os custos dessa solução dentro de um patamar coerente e alinhado com o resultado financeiro do empreendimento.

O grande diferencial do bom especialista não é apenas buscar a solução técnica que vai resolver o projeto, mas fazer isso de forma simples e criativa para que o custo das esquadrias seja o menor possível. Vale destacar que no mercado de esquadrias, o nível de qualificação das empresas de consultoria de esquadrias é muito heterogêneo. 


Existem empresas que possuem estrutura técnica e profissionais altamente capacitados e com larga experiência para responder de forma efetiva às demandas de projetos que lhes são confiados. Essas empresas têm capacidade de oferecer soluções consistentes e criativas, inclusive nos empreendimentos de maior complexidade. Infelizmente essas características não estão presentes na maioria delas.

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