Edição nº150 jul/ago 2021

RETROFIT E MELHORIAS EM ESQUADRIAS NA PANDEMIA

Colaborou: Stephanie Fazio

1 Capa.jpg

Após mais de um ano de pandemia, as reformas ainda têm se mostrado presentes nos lares e empreendimentos comerciais. A busca por melhorias nas edificações cresceram acentuadamente no período. “As famílias tiveram oportunidade de pôr à prova suas residências e verificar se a ‘máquina de morar’, como Le Corbusier chamava a casa, funciona”, diz Alejandra Maria Devecchi, gerente de planejamento urbano da Ramboll, empresa global de engenharia, arquitetura e consultoria.

Com foco no segmento residencial, a pesquisa  “O impacto comercial da covid-19 para arquitetos e 
designers de interiores” realizada em 2020, mostrou que 77,5% dos projetos foram de mudanças pontuais no lar. Entre eles, 50,5% envolveram adaptação de ambientes para home office, enquanto 47,5% foram de adequação dos espaços de convivência e 21,5% de reformatação do ambiente para crianças. O levantamento é da Archademy, plataforma online de arquitetura e design de interiores, conforme publicação do jornal O Estado de S. Paulo.

OBRAS REVALORIZADAS 

O retrofit é uma técnica de origem europeia que visa restaurar obras antigas ou deterioradas pelo tempo de uso, preservando as características arquitetônicas e históricas do projeto original. A repaginação conta com o uso de novas tecnologias e traz diversas vantagens, que vão muito além da estética.

Os benefícios do processo incluem a revalorização da construção com melhorias nas instalações antigas, buscando corrigir problemas para tornar a edificação mais segura e confortável para os usuários, reduzir o consumo de energia e água, reaproveitar os espaços e regularizar a obra, de acordo com as normas atuais exigidas pelos órgãos competentes, entre outros aspectos. 

Muitas destas obras buscam obter a certificação internacional LEED para construções sustentáveis, concebida e concedida pela organização não governamental United States Green Building Council (www.usgbc.org). 

Também bastante utilizada é a certificação AQUA-HQE (Alta Qualidade Ambiental) aplicada no Brasil pela Fundação Vanzolini (vanzolini.org.br/produto/aqua-hqe), que observa na edificação os requisitos de conforto acústico, conforto olfativo, qualidade sanitária dos ambientes e qualidade sanitária da água, entre outros itens para aprovação.

PROJETO PARA O CENTRO DE SP 

Um bom exemplo para ilustrar o assunto aconteceu no último mês de julho. A Câmara de São Paulo aprovou o Requalifica Centro, Projeto de Lei (PL) 447 que estabelece incentivos fiscais para estimular a requalificação de prédios antigos da região central da cidade e sua transformação em edifícios habitacionais. 

“O objetivo é adensar o centro e resgatar a vocação da região ao criar um ambiente atraente para investimentos”, segundo informações da Prefeitura. A principal alteração no texto do projeto de lei se deu no perímetro do programa, que passou de 2,1km² para 6,4km². O projeto é voltado exclusivamente às construções existentes ou licenciadas antes de 23 de setembro de 1992 ou licenciadas com base na legislação vigente até esta data. 

O projeto propõe uma série de incentivos fiscais a essas edificações, como: “remissão dos créditos de IPTU; isenção de IPTU nos três primeiros anos a partir da emissão do certificado de conclusão de obra; aplicação de alíquotas progressivas para o IPTU pelo prazo de cinco anos após a isenção, sendo que no 6º ano o imóvel atinge a alíquota integral do imposto”. Além disso, estão previstas a redução para 2% da alíquota de ISS para os serviços relativos à obra de requalificação (engenharia, arquitetura, construção civil, limpeza, manutenção, meio ambiente); isenção de ITBI aos imóveis objetos de requalificação e isenção de taxas municipais para instalação e funcionamento por cinco anos.

“A existência de numerosos edifícios verticais totalmente vazios no centro da cidade de São Paulo evidencia um paradoxo da produção do espaço urbano: a obsolescência espacial da cidade industrial”, comenta Alejandra Maria Devecchi, gerente de planejamento urbano da Ramboll, acrescentando que a reforma e adequação podem ancorar um processo de reabilitação da área central da cidade e a industrialização de um setor da construção civil. Ela relata que os edifícios da área central de São Paulo apresentam um significativo potencial para a reconversão habitacional.

“Analisando exclusivamente o potencial construído, pode-se verificar que a maioria apresenta área construída superior a cinco vezes o espaço do terreno, transformando qualquer empreendimento de reforma ou reabilitação num investimento muito produtivo, já que a legislação vigente não permite exceder um coeficiente de aproveitamento superior a quatro”, explica Alejandra. Ela observa que isso significa que a habitação pode ser produzida com frações ideais de terreno inferiores a 40m² por unidade, possibilitando trabalhar com terrenos valorizados. “Outra vantagem da reforma é o tempo mais curto de obra, assim como também o processo de aprovação mais simples”.

Para elaborar esta reportagem publicada na edição impressa nº150 (julho/agosto de 2021), a equipe Contramarco entrou em contato por e-mail e por telefone com especialistas e executivos de diversas empresas vinculadas ao tema. 

Publicidade:
GIF FISE.gif
 
twitter.png
Leia a matéria na íntegra na Edição nº150 jul/ago 2021 - solicite seu exemplar
 Acesse a edição digital - conteúdo exclusivo para assinante