Edição nº143 mai/jun 2020

O MOMENTO ATUAL NA VISÃO DE OITO EXECUTIVOS

Desta vez, optamos por formatar uma seção Entrevista diferente. Durante o mês de maio, enviamos por e-mail três questões para dirigentes de diversas empresas da indústria de esquadrias e do vidro:
 
(1) De forma resumida, comente sobre as principais decisões, táticas ou alternativas tomadas em sua empresa para enfrentar o atual período de confinamento.
 
(2) Que lições úteis podemos extrair desse momento?
 
(3) Após a Covid-19, o mercado de esquadrias e vidro está ameaçado
por uma crise de demanda, ou o reaquecimento será logo?

1 FELÍCIO TADEU BRAGANTE (presidente, Asa Alumínio) — (1) Todos os nossos clientes, sem exceção, reduziram drasticamente suas encomendas, que já não eram tantas, mas davam sinais de tênue recuperação. Com isso, também não nos restou alternativas senão reduzir a produção a quase zero. Tomamos todas as precauções para a proteção dos poucos que continuam trabalhando.
 
(2) Neste momento, nenhuma. (3) Entendo que, para o futuro próximo, no mínimo dois anos, o desemprego e subemprego não permitirão financiamentos imobiliários. Menos empregos, menos obras, menos financiamento,
igual à menor demanda. E ainda, instabilidade política, financeira, ausência de reformas tributárias e trabalhistas, zeram as expectativas de melhora.
2 FLAVIO ALVES VANDERLEI (gerente comercial, Cebrace) — (1) Desde o recebimento da notícia da chegada da pandemia no estado de São Paulo no final do mês de março, a Cebrace iniciou medidas de segurança salutar para preservar seus colaboradores e terceiros. E devido ao grande impacto nas vendas, tivemos que parar efetivamente com as produções de nossos fornos e linhas de processamentos.
 
Consequentemente, no início de abril, iniciamos um programa de férias para a maior parte
dos funcionários e, após a entrada em vigor da MP 936/2020, foi possível efetuar a redução de jornadas e salários para garantir ao máximo a manutenção dos empregos. Ao mesmo tempo,
nossa preocupação com o mercado se deu na procura por um alinhamento de expectativas dos clientes para programar o retorno da produção das unidades fabris da Cebrace.
 
(2) No momento em que o confi namento exigiu a distância física, precisamos trabalhar com o essencial e com o maior auxílio da tecnologia, o que acelerou ainda mais a transformação digital na forma de gerir processos e pessoas. Essa nova forma de otimizar nosso jeito de fazer trouxe melhorias que são um caminho sem volta. Da mesma forma, os procedimentos e novos cuidados em relação à saúde dos colaboradores permanecerão.
 
(3) Infelizmente, o cenário para 2020 é de uma queda acentuada na ordem de 20 a 25% para o vidro plano no Brasil, sendo que esperamos uma recuperação progressiva para o segundo semestre. Para
2021, segundo os estudos macroeconômicos, principalmente alinhados com as previsões do
PIB na ordem de 3,5%, espera-se uma retomada importante para o segmento vidreiro.
3 JAVIER DIAZ (CEO, Voilàp Brasil/Emmegi) — (1) A primeira e mais importante das decisões para nosso grupo foi definir rapidamente os protocolos de segurança para resguardar a saúde de nossos funcionários em todo o mundo. Em segundo lugar, redefinir os objetivos econômicos para 2020 quanto à previsão de vendas e despesas, sempre mantendo um estrito equilíbrio em nossas
contas, coisa que nos está permitindo cumprir com nossos compromissos com clientes e fornecedores.
 
(2) Uma situação tão excepcional como a que estamos atravessando te faz refl etir em muitas coisas, mas destacaria a transformação de nossa atividade de um dia para outro e trabalhar em home office. A verdade é que a experiência foi muito positiva, nossos clientes foram atendidos com total normalidade e todos os departamentos trabalharam para que o impacto da crise fosse o menor possível.
 
(3) Infelizmente, não sendo pessimista, acho que a retomada irá demorar um pouco. Após uma situação tão grave os investimentos podem se ressentir ou paralisar. Nossa expectativa é que a retomada possa se concretizar a partir do próximo ano.
4 JOSÉ CARLOS GARRIDO (diretor comercial, Expalum) — (1) Não paramos nenhum dia de trabalhar, implantamos todos os cuidados de higienização na empresa exigidos pelos órgãos sanitários. Procuramos atender o cliente com mais agilidade. Evitamos demissões.

(2) Precisamos sempre estar prontos para tudo, viver um dia de cada vez, com muita
intensidade. Manter a empresa com MUSCULATURA, para tentar superar imprevistos como esse.
 
(3) Não será pior que a enfrentada até 2018. Vai depender também muito do nível de desemprego nos próximos 12 meses.

5 LUIS HENRIQUE MENDES RISSI (gerente de marketing, Hydro) — (1) De fato, é um período que ninguém imaginava viver, principalmente em meio a um ano em que a construção civil tinha um panorama bem positivo. Na Hydro, além de tomarmos todas as medidas sanitárias indicadas pela OMS que garantem a segurança e saúde dos

nossos colaboradores em nossas plantas, trabalhamos com nosso time comercial e administrativo em home office, o que vem sendo uma experiência totalmente nova. Nossa liderança vem usando um modelo de gestão de proximidade com os liderados ainda maior, para que consigamos passar por esse momento difícil.

No ponto de vista econômico, tivemos que adaptar nossa capacidade tripulada, pois o mercado teve uma retração significativa, tanto na construção civil como nos demais segmentos do alumínio. Porém, uma crise como essa também traz algumas oportunidades de crescimento, e de maneira rápida, estamos adaptando nossa estratégia a
elas. 

(2) Uma das lições que devemos extrair é que não é preciso estar fisicamente junto ao cliente para realizar bons negócios e ter relevância no mercado. A presença pode e deve se dar por canais que antes da pandemia eram subutilizados pelo meio industrial em geral. A presença digital, que já era uma grande tendência, deve ganhar ainda mais força num horizonte pós Covid-19. Além disso, lidar com situações nunca vivenciadas e que o planejamento pode se alterar a qualquer momento é um desafio a ser aprendido. Uma organização como a Hydro, dá estabilidade
ao mercado principalmente em meio às crises. Os clientes e parceiros podem confiar e saber que até em meio a um cenário como esse, a empresa estará no mercado com força, e se preparando para novidades e
melhorias.

 

(3) A expectativa com o mercado de esquadrias e vidro é que ele tenha uma volta gradativa com as flexibilizações das quarentenas pelos estados brasileiros. Não acredito que ele irá ainda em 2020 chegar aos patamares do primeiro trimestre desse ano, ou mesmo aos melhores meses de 2019. Porém é um segmento que devido à sua pulverização, velocidade e força, tem tudo para se recuperar totalmente no início de 2021.

6 TONIA LIMA (diretora geral, Kömmerling Brasil) — (1) As vendas e o mercado ficaram lentos, mas nosso relacionamento não. A divisão América do Sul do grupo profine reviu protocolos, reorganizou times e redescobriu novos meios de manter o contato e estabelecer conexões seguras. Criou encontros virtuais semanais e um webinar técnico com profissionais de todo o Brasil e demais países sulamericanos para incentivar as trocas de visões e realidades de cada região. Tudo isso promoveu o engajamento e sentimento de união do setor. Quanto mais informações e soluções trocarmos mais fortalecidos atravessaremos a crise gerada pela pandemia.

 

(2) O momento foi de extrema empatia — humana e comercial. Nunca um momento promoveu tantas trocas, apoios e ideias para continuarmos movimentando o setor. Porém, as grandes lições ficam por conta dos valores humanos que vieram à tona oportunamente. A empatia fez brotar uma série de ações que estamos compartilhando online, com encontros que têm espalhado motivação, informação, soluções e novos olhares para as questões a partir da experiência de cada profissional envolvido.

 

(3) Estamos vendo uma retomada lenta, porém, real. Nossa realidade aqui ainda é crítica e já vivenciada pelos países que hoje experimentam o sopro das boas notícias, tanto na área da saúde com a queda das infecções quanto na retomada e aquecimento tímido do mercado. Tímido, mas — repito — real. Creio que conseguiremos projetar melhor as demandas a partir de agosto, pois junho começa com boas perspectivas nas negociações e nas ações com parceiros.

7 WILSON CUCCHIARATO JUNIOR (diretor comercial, Roto Fermax) — (1) Montamos na empresa um gabinete de crise para gerir esta nova realidade. Tomamos todos os cuidados com nossos colaboradores, fornecedores e
clientes, afastando os grupos de risco, adaptando os processos e horários para manter o distanciamento social, adoção de máscaras, álcool em gel, tomada de temperatura. Flexibilizou-se o local de trabalho, permitindo e
estruturando que o home office se configurasse uma realidade. Seguimos todas as regras e determinações das diversas autarquias (federais, estaduais e municipais) assim como as decisões de clientes, fornecedores e transportadoras.

 

Mantivemos estreito contato com o mercado — inclusive num momento onde paramos a fabricação por 10 dias para ajustar a cadeia de suprimentos — as áreas de apoio ao cliente continuaram funcionando, inclusive com faturamento para produtos acabados.


(2) É fundamental fazer a informação fluir e montar um gabinete de crise para gerir o processo. Várias cabeças conseguem buscar alternativas melhores.

 

(3) De longe, esta é a resposta mais difícil. O cenário tem mudado todos os dias e a longa duração desta quarentena não ajuda. Vimos os esforços dos empresários do setor para continuar seus trabalhos na maior segurança possível. Esperamos que o governo tenha maturidade para adotar instrumentos que viabilizem a construção civil de maneira muito rápida e eficiente, pelo fato de ser o setor da economia onde a reação de retomada de atividades é mais rápida. Há um conceito novo, indicado pelas pesquisas: o longo tempo confinado trará ao mercado um desejo de investir na melhoria de nossos imóveis (residenciais principalmente) para torná-los mais aconchegantes
e eficientes — com certeza temos muito a contribuir neste sentido.

8 JOÃO VIEIRA (diretor, Udinese Assa Abloy) — (1) Adotamos todas as medidas recomendadas pela OMS como: home office, distanciamento mínimo entre as pessoas, uso de máscaras, instalamos minilavatórios por toda a planta, instalamos dispensers com álcool em gel em lugares estratégicos, adotamos o controle de temperatura na entrada da fábrica para todos os funcionários, instalamos placas de acrílico entre as pessoas nas células de produção, suspendemos todas as viagens de nossos funcionários, deixamos de receber visitas de parceiros externos, rotina de limpeza constante em todos os lugares de toque, comunicação constante das recomendações preventivas, etc.

 

(2) Sairemos desta crise mais unidos e mais fortes, observamos uma série de oportunidades que certamente farão parte do cotidiano mundial, uso da tecnologia para videoconferência, lives para divulgação de produtos, treinamento e interação com nossos agentes e clientes.

 

(3) Creio que nosso mercado será afetado no começo do próximo ano, mas dependendo do tempo de recuo nos lançamentos de obras, talvez seremos pouco afetado.

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