Edição nº148 mar/abr 2021

ENTREVISTA: UMA HISTÓRIA DE VIDA DEDICADA À CONSTRUÇÃO

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CONTRAMARCO — Conte um pouco sobre as origens de seu interesse pelo campo da consultoria em esquadrias de alumínio. Relembre as principais etapas de sua trajetória profissional.

CRESCÊNCIO PETRUCCI — Eu tinha 14 anos quando comecei a trabalhar. Muito jovem, meu primeiro emprego foi em chão de fábrica em uma das principais fábricas de esquadria da época, a Prando & Pavanello (P&P). Era a década de 1980. Eu perdi meus pais muito cedo. A vida rapidamente me tirou do jogo de futebol no campinho, das pipas e dos carrinhos de rolimã na rua. A realidade era bem diferente, que me exigia mais responsabilidade e disciplina. Entre cortar, usinar, furações, fresas, parafusos e montar a esquadrias de alumínio, essa foi, sem dúvida, a grande oportunidade de aprender uma profissão. Mas eu não tinha a menor ideia do que tudo isso viria a representar no meu futuro profissional.

Ali mesmo na P&P, tive espaço e determinação para ampliar o conhecimento na área de projetos, orçamento e fabricação de esquadrias. Isso porque aquela empresa tinha a inovação no seu DNA. Tive também oportunidade e a sorte de conviver com muitos dos projetos emblemáticos da época, e de sistemas inovadores de esquadrias estarem sendo desenvolvidos na P&P, quando eu já atuava como projetista.

 

Percebi que estava no caminho certo e boa parte pavimentado para cursar engenharia na universidade e buscar outras especializações. Meu interesse em saber mais sobre esquadrias e a empolgação para resolver os problemas eram cada vez maiores.

Fiquei 12 anos na empresa e quando saí continuei no mesmo ramo. Trabalhei por mais nove na Mario Newton, uma das pioneiras e mais importantes empresas de projeto e consultoria de esquadrias. Mais uma vez essa minha inquietação encontrou terreno fértil para crescer e se fortalecer.

Começar como consultor no setor de esquadrias, no final da década de 1990, foi outro grande desafio. Havia resistência e questionamentos dos fabricantes de esquadrias em relação a meus conhecimentos e minha bagagem. Especialmente pela minha pouca idade, uns vinte e poucos anos, e aparência muito jovem. Tive de ouvir muitas vezes a pergunta: “Quantos anos você tem?” — e  também a resposta: “Pois saiba que eu tenho mais anos de profissão do que a sua idade”.

Nesse período foi preciso mostrar personalidade, firmeza e convicção na forma de atuar, principalmente para discutir soluções técnicas com os donos e projetistas das grandes empresas de esquadrias. Claro que sempre com muito respeito, e conquistando a confiança de todos através das soluções apresentadas.

CONTRAMARCO — Relembre quando foi criada sua empresa, a Crescêncio Engenharia.

CRESCÊNCIO PETRUCCI — A história começa em 2006. Nossa trajetória nesses pouco mais de 15 anos sempre foi marcada pela inovação e pioneirismo, como forma de dar respostas mais adequadas às necessidades e exigências dos clientes. O primeiro trabalho veio seguido de um grande desafio. Tratava-se nada mais, nada menos, do que a sede da Petrobras em Macaé (RJ). Ali, tivemos de desenvolver uma solução inédita de brise com mais de 400mm de largura, totalmente unitizado. Foi um belo batismo. A partir daí seguiram-se vários outros projetos na cidade de São Paulo e por todo o País. Sempre para grandes construtoras e incorporadoras. 

CONTRAMARCO — Em sua opinião, em que nível está a qualificação da atividade de consultoria em esquadrias no mercado brasileiro? Pode-se dizer que há melhorias contínuas no processo de integração em projetos de fachadas entre fabricantes, consultores, arquitetos e engenheiros, construtoras e incorporadoras? Por quê?

CRESCÊNCIO PETRUCCI — O nível de qualificação das empresas de consultoria de esquadrias no mercado brasileiro é muito heterogêneo. Existem empresas que possuem estrutura técnica e profissionais altamente capacitados e com experiência para responder de forma efetiva as demandas de projetos que lhe são apresentadas. Com capacidade de oferecer soluções consistentes e criativas, inclusive nos empreendimentos de maior complexidade. 

Infelizmente não é a maioria. Muitas empresas estão ainda em fase de amadurecimento, precisam evoluir. Algumas delas não contam até mesmo com um profissional responsável, como um engenheiro ou arquiteto. Quando a estrutura é deficiente, naturalmente, as respostas oferecidas aos clientes, construtoras e incorporadoras podem não ser as mais adequadas para aquele projeto, impondo riscos de patologias e custos elevados. 

Devido a especificidade e complexidade dos projetos de esquadrias de alumínio, o que observo é que muitas vezes a equipe técnica da construtora ou do incorporador sem o preparo exigido, não sabe avaliar com segurança se a solução apresentada pelo consultor é, de fato, a melhor opção para aquele empreendimento. Essa falta de especialização leva ainda a outras distorções: muitas decisões de contratação de uma consultoria são tomadas única e exclusivamente pelo preço dos serviços, sem considerar a qualidade, ou o custo-benefício. O cliente que tem esse critério de escolha baseado somente no preço, seja a construtora ou a incorporadora, acaba não sabendo que poderia obter melhores resultados e uma economia significativa no contrato de esquadrias, com uma solução de projeto melhor resolvida. O objetivo não é alcançado devido às limitações técnicas da empresa que prestou o serviço ou desenvolveu o projeto. 

CONTRAMARCO — Toda edificação precisa de um projeto de esquadria bem elaborado.

CRESCÊNCIO PETRUCCI — Sim. Uma solução equivocada no projeto de esquadria, por falta de conhecimento e experiência, sempre pode gerar resultados negativos, com perda da qualidade e de desempenho da esquadria. A falta de observação e atendimento às normas técnicas ocasiona a elevação dos custos durante a aquisição da esquadria, ou depois, com os problemas que se tornam passivos devido às constantes manutenções de reparo, que também trazem prejuízos. Geralmente, a elevação dos custos devido à falha de projeto é muitas vezes superior ao que se economiza durante a contratação do projeto. 

É preciso destacar, ainda, que às vezes os erros técnicos cometidos por empresas de consultoria podem ser corrigidos e camuflados pelos próprios fabricantes de esquadrias. Isso para evitar conflitos e a exposição de um projetista ou consultor, já que a opinião do consultor tem peso, é e será importante para a contratação daquele ou de outros empreendimentos. No entanto, essa atitude acaba impedindo que a construtora ou a incorporadora conheça a realidade, e possa avaliar de forma precisa a capacidade e eficiência do projetista e da solução que foi contratada. 

Por tudo isso, entendemos que, para uma evolução e aprimoramento do próprio setor, é importante que tanto a construtora como a incorporadora tenham uma avaliação mais criteriosa das empresas de consultoria e projetistas de esquadrias de alumínio. Com um maior nível de exigência na qualificação dos profissionais, todos saem ganhando. Não se pode negligenciar a importância do custo que as esquadrias representam no valor global dos empreendimentos.

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