Edição nº141 jan/fev 2020

ENTREVISTA: Luiz França, presidente da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc)

TENDÊNCIAS POSITIVAS DO MERCADO IMOBILIÁRIO  

CONTRAMARCO — Conte um pouco sobre sua experiência como presidente executivo da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) e a importância da entidade para a indústria da construção no País.


LUIZ FRANÇA — Estou na presidência da Abrainc desde 2017 e o nosso trabalho visa fortalecer e aprimorar o mercado imobiliário. Investimos bastante em aprimorar a parte técnica e por isso fizemos diversas publicações de estudos e pesquisas sobre o setor e com os resultados podemos mostrar o importante papel que a construção civil tem para a economia do Brasil. 


Temos um ótimo relacionamento com os principais representantes de órgãos públicos e através desses encontros, compartilhamos nossa visão de como as cidades, governos e o País devem ter atenção para o mercado imobiliário. 


A Abrainc possui atualmente 39 associadas, que representam as grandes incorporadoras do Brasil, o que demonstra a força da nossa atuação e das nossas associadas que trabalham tanto no mercado de Minha Casa Minha Vida e Médio Alto Padrão. Nos últimos anos, tivemos importantes conquistas como a Lei de Distrato, que promoveu a segurança jurídica do mercado, e o fortalecimento das opções de funding [captação de recursos para investimento], com a implantação da LIG (cuja regulamentação foi implantada logo após um evento da entidade em 2017) e as novas regras do Direcionamento da Poupança (aprovadas em 2018), que além de liberarem cerca de R$100 bilhões em financiamentos permitiram a criação do crédito imobiliário indexado ao IPCA. 

CONTRAMARCO — Destaque as principais atividades da associação em 2020 (em curso e previstas).


LUIZ FRANÇA — Para 2020, continuaremos nosso trabalho de fortalecer as opções de funding, tanto para Minha Casa Minha Vida (MCMV), quanto para Médio Alto Padrão. Além disso, estamos atuando para fortalecer o programa habitacional do governo, MCMV, pois é necessário promover o acesso à moradia para todos e reduzir o déficit habitacional que está em 7,8 milhões de casas. 


Também defendemos a sustentabilidade do FGTS e atuamos para que a Lei Geral de Proteção de Dados seja divulgada com transparência do setor. 


Estamos debatendo sobre os impactos da Reforma Tributária para o setor e iremos realizar três grandes eventos no ano que irão fomentar ideias e análises sobre o mercado e como as empresas estão inovando para atender ainda melhor seu consumidor.

CONTRAMARCO — Nos últimos meses, a mídia vem divulgando notícias bastante positivas sobre a retomada do crescimento da construção civil no Brasil e boas perspectivas em 2020 para o setor imobiliário. Qual sua visão sobre esta tendência no longo prazo?


LUIZ FRANÇA — Para 2020 esperamos um crescimento nos lançamentos de 20% a 30% no segmento MAP (Médio e Alto Padrão) e para o MCMV (Minha Casa Minha Vida) a estimativa é de um aumento nos lançamentos próximos dos observados nos últimos anos, de 5% a 10%. 


Um levantamento da Abrainc mostra que o mercado imobiliário tem potencial para construir até 1 milhão de novas moradias e a partir desse cenário, o setor geraria 5,5 milhões de postos de trabalho o que iria corresponder a 5% de todos os empregos gerados no País. 


O crédito imobiliário está crescendo e isso mostra que o setor está sendo impulsionado positivamente. 


Realizamos um levantamento que mostra que a queda da taxa Selic para 4,5% pode dar acesso ao crédito imobiliário a 2,8 milhões de famílias. 
Com o acompanhamento da diminuição dos juros futuros, isso vem causando um grande impulsionador ao crescimento. 


A taxa do financiamento imobiliário está no menor nível histórico (a Caixa chegou a 6.75 aa + TR). E já é percebido um aumento de 20% na oferta de crédito imobiliário. 

CONTRAMARCO — Qual a importância do uso de esquadrias e vidros de boa qualidade numa edificação? Por que devem seguir os requisitos mínimos estabelecidos pelas normas técnicas? A Abrainc e seus associados seguem alguma diretriz sobre este assunto? 


LUIZ FRANÇA — A Abrainc sempre trabalha com seus associados para criar um ambiente seguro e com boa qualidade para o mercado imobiliário. Em relação ao uso de esquadrias e vidro, temos uma parceria institucional com a empresa Atimaky.


No universo da construção civil, busca-se incessantemente estudos acirrados no que tangem a todos os componentes que guarnecem o produto final. Nesse contexto, as indústrias fabricantes desdobram-se na criação e produção de esquadrias que ofereçam mais conforto e segurança ao comprador. Portanto, as esquadrias devem atender as normas reguladoras específicas vigentes, bem como atender as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS).


Não se pode atribuir uma boa qualidade a uma determinada esquadria se a ela não estiver certificada pelos órgãos responsáveis pelos testes. Nesses termos, podemos afirmar que a Construtora estará comprando uma esquadria de boa qualidade e assim atendendo as normas vigentes, eximindo-se de responder por eventuais ações futuras pelo não atendimento aos requisitos legais.


Podemos afirmar que os vidros, da mesma forma, também devem atender as normas porque compõem as esquadrias como os demais itens que objetivam os testes aplicados, como a resistência às cargas de vento da região em que será instalada, a permeabilidade ao ar, estanqueidade à água, os esforços de uso, a acústica — tudo de acordo com os projetos específicos de caixilhos certificados, observando as regiões climáticas.

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