Edição nº157 set/out 2022
FOCO NO VIDRO: QUAL A ESQUADRIA MAIS EFICIENTE? 

por Fernando Simon Westphal
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Do ponto de vista da eficiência energética, a melhor esquadria é aquela que permite o controle adequado da iluminação natural e das três formas de trocas de calor: o ganho da radiação solar, condução de calor devido à diferença de temperatura e a infiltração de ar ou ventilação.

Em 2013, quando desenvolvemos os estudos para estabelecer a etiqueta de conforto térmico de esquadria, publicada posteriormente na ABNT NBR 10821-4 em 2017, nosso desafio era contemplar todas essas variáveis em um único selo. 

Conseguimos dar um passo importante, identificando diretrizes básicas para a especificação de esquadrias em climas brasileiros com foco em conforto térmico:


• Nas regiões Norte e Nordeste, as mais quentes do país, o importante é a especificação de vidros de controle solar com baixo fator solar (baixo ganho de calor do sol).
• Na região Sul, além do baixo fator solar para diminuir o calor excessivo no verão, deve-se optar por vidros insulados e perfis mais isolantes, como o pvc, alumínio com thermal break e madeira, evitando o desconforto térmico por frio no inverno. 
• As regiões restantes, Sudeste e Centro-Oeste, são intermediárias, nas quais se deve procurar vidros com baixo fator solar, podendo ser insulados e utilizando perfis de esquadrias mais isolantes. 

 

É claro que essas são regras gerais e cada projeto pode ser avaliado com mais profundidade para identificar as reais necessidades. Mas as simulações energéticas desenvolvidas naquele contexto contribuíram para entender melhor a relação do tipo de material da esquadria, vidro, clima e conforto térmico interno em edificações residenciais. 

O método de avaliação pode ser aprimorado. Precisamos falar de infiltração de ar, controle de ventilação e elementos de sombreamento. Por definição, a infiltração de ar difere da ventilação por uma questão semântica. A primeira é a entrada de ar não intencional por frestas, e a segunda é a entrada de ar desejada e de forma controlada através de aberturas projetadas para isso em uma esquadria. A infiltração de ar é indesejada tanto em climas frios quanto em climas quentes, pois provoca desbalanceamento na temperatura do ar interno, sem a possibilidade de controle pelo usuário. 

A ventilação natural é uma das formas de condicionamento passivo recomendadas a todas as regiões climáticas brasileiras, pois temos problemas de calor em todo o país, mesmo que com diferentes durações ao longo do ano. O ideal é que esta ventilação seja realizada de forma controlada, em que o usuário possa acionar e até mesmo regular a taxa de ar conforme sua necessidade. 

O sombreamento segue o mesmo raciocínio. O ideal é que fosse promovido por dispositivos móveis, permitindo o seu controle e ajuste ao longo do ano. Nas regiões frias, poderia se admitir o sol no inverno e bloqueá-lo no verão. Fazer isso sem dificultar o contato visual com o exterior e admissão de luz natural é outro desafio. 

Mas e qual seria o tipo de material mais eficiente para o perfil? Evidentemente, quanto mais isolante, melhor, pois dificulta a troca de calor por condução, evitando o ganho de calor excessivo no verão e a perda no inverno. Perfis de pvc, madeira e alumínio com thermal break são mais eficientes nesse quesito. Em climas extremos, essa escolha é importante. Porém, em climas amenos ou em pequenas áreas de abertura, a influência do perfil é irrelevante. 

Se o consumidor dispõe de recursos, pode optar por esquadrias mais isolantes e com vidros insulados. Certamente o resultado será melhor.

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